Fiocruz aponta que isolamento não surtiu efeito ainda e defende lockdown

A quantidade de casos e óbitos causados pela infecção do coronavírus na última semana, entre 21 e 27 de março, atingiu valores recordes e manteve tendência de aceleração da pandemia no Brasil, aponta boletim extraordinário do Observatório Covid-19 da Fiocruz. O órgão defende a adoção de lockdown por pelo menos 14 dias em cidades com mais de 85% dos leitos de UTI ocupados para a quantidade de casos reduzir em cerca de 40% e, com isso, aliviar a sobrecarga do sistema hospitalar.

O boletim aponta ainda que Minas Gerais, outros 16 estados e ainda o Distrito Federal têm taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Covid-19 acima de 90%. Trata-se da média de cada Estado, e significa que muitas cidades já estão com sistema colapsado.

Só dois estados não estão em nível crítico da situação hospitalar (Amazonas e Roraima).

Entre as capitais, 21 estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 superiores a 90%, sendo sete delas, iguais ou superiores a 100%, incluindo Belo Horizonte na lista, que, estava com 101% na apuração dos dados (no último boletim da Prefeitura de BH, divulgado nessa terça-feira, o índice caiu para 97,2%)

Esse quadro pode ter contribuído para o aumento da taxa de letalidade da Covid-19 no Brasil. No final de 2020, a taxa estava em 2%, mas saltou para 3,3% na última semana. “Pode ser consequência da incapacidade de se diagnosticar, internar e acompanhar casos graves de Covid-19 de maneira oportuna e adequada”, analisa o boletim da Fiocruz.

Apesar da adoção de medidas de fechamento do comércio em boa parte do Brasil, o número de casos de Covid-19 segue em aceleração. Na última semana, cresceu 0,8% ao dia, “bastante maior que o valor verificado na semana anterior”, diz a Fiocruz. Por dia, foram notificados em média 77 mil casos da doença em todo o Brasil.

 

“É importante ainda lembrar que as medidas de restrição de mobilidade, adotadas nos últimos dias por diversas prefeituras e estados, ainda não produziram efeitos significativos sobre as tendências de alta de todos os indicadores que vêm sendo monitorados pelo Observatório”, analisam os pesquisadores da Fiocruz.

Fonte: Agencia Brasil