Com tricô e bordado recentemente aprendidos, designer já ganhou R$ 2 mil

Linha, agulha, tecido e uma memória afetiva. E, assim, o nó virou laço, desde que Marília Sousa, de 24 anos, tomou gosto pelo bordado logo no início da pandemia, quando decidiu aprender a técnica. O que era uma tentativa de afastar o tédio do isolamento necessário ao momento  se tornou mais que um hobby para passar o tempo em casa, virou um negócio. Há quase um mês, ela criou a Nós por Nós Bordados e Crochê com Carinho (@nospor.noss).

Em menos de 30 dias, já são 20 peças vendidas e também a bordagem de 50 ecobags para o lançamento de um livro. Assim como cada peça se constrói ponto a ponto, o faturamento do negócio também: mesmo no comecinho, o trabalho artesanal de Marília já lhe rendeu, até agora, quase R$ 2 mil.

“Após terminar a faculdade, resolvi gerar uma renda através disso. Já foi um início muito gratificante para mim. Eu adoro transformar uma foto em bordado no tecido. E no crochê, eu gosto muito de tecer pets e personagens. Espero que conforme a loja vá crescendo eu possa ajudar meus pais nas contas de casa e me manter de forma independente”, afirma Marília, que se formou em janeiro em design de moda pela Unifacs.

Não pense que ela aprendeu a bordar e tricotar com a avó. Foi no YouTube mesmo. “Comecei com vídeos em canais, depois fiz um curso online. Nunca tive contato com bordado antes, mas tinha com a costura. No tédio da pandemia, resolvi me aventurar para ver como era e me apaixonei”.

As peças para pets são as mais procuradas. A depender do tamanho e da complexidade, Marília leva, geralmente, de 2h a 12h para finalizar um trabalho. Cada cliente gasta em média R$ 60. 

“A maioria quer eternizar fotos, animais, personagens e gosta de produtos feitos à mão. É incrível como nos sentimos parte de cada uma das encomendas. Uma peça que me marcou foi o Remy, do filme Ratatouille, da Disney,  que fiz para um grande amigo chef de cozinha”, afirma.

Os amigurumis também estão entre os preferidos. A técnica de crochê japonesa para a criação de bichinhos e bonecos de tricô surgiu nos anos 80 e faz sucesso pela fofura e capricho. “Minha primeira peça foi um gatinho laranjado. A ideia de trabalhar com eles veio, justamente, da possibilidade de personalização de cada bichinho”.

Para ela, a exclusividade faz toda a diferença. “Converso bastante e tento absorver cada ideia do cliente. Na minha primeira peça fui atrás de um pingente daqueles de coleira para colocar no amigurumi e deixá-lo mais parecido com o pet de estimação”, pontua.

  Nós
 Em cada peça vai, ainda, uma dose de carinho, que Marília fez questão de colocar até no nome da marca. “Um dos motivos por ser Nós por Nós é a minha consciência de que, mesmo enquanto indivíduos, somos também coletivos e que nesse momento específico da pandemia a gente precisa muito se agarrar às conexões que temos e que queremos manter vivas, apesar dessa distância social que o vírus nos impôs”.

O isolamento na pandemia impulsionou bastante o surgimento do negócio. “Essa questão toda do distanciamento tem mexido muito comigo. Sempre fui agitada, gosto de estar fazendo algo, porém, desde o início, eu tenho seguido bem a quarentena, mesmo não tendo conhecidos próximos que tiveram a doença ou pessoas do grupo de risco em casa. Acho que é mais que um dever diante do cenário que estamos vivendo”, defende.

Nessa fase inicial, o dinheiro está sendo reinvestido na loja e a designer está estudando  novas peças e técnicas de bordado e tricô. “É clichê dizer isso, mas é tudo treino. No começo parece difícil, no entanto, depois que você aprende, quanto mais treina, melhor fica. Tenho postado muito coisa no Instagram, usado bastante o reels e vejo que é uma ferramenta que atrai muitas pessoas. Além disso, tento fazer do perfil não só uma vitrine, mas um espaço de dicas e troca de aprendizados”. 

Marília acredita que os produtos feitos à mão são uma oportunidade de presentear  e estar junto do outro, mesmo no isolamento. “Ou seja, lembrar as pessoas que longe também é perto. Uma forma de agradá-las com coisas que são importantes, manter acesa uma ligação com a própria identidade que, às vezes, parece estar indo embora”, acrescenta a empreendedora.

A TÉCNICA DE MARÍLIA 

Acredite no seu trabalho  Na sua motivação, naquilo que gosta de fazer

Conexões Tenha coragem de expor o que faz e confie que seus clientes vão se identificar com isso

Rede  de Apoio Conte com  família e amigos. Eles podem ajudar a divulgar a marca e a  conquistar novas encomendas, fazendo com que seu trabalho  alcance mais pessoas, principalmente pelas redes sociais

Muito carinho, afeto e cuidado Crie um laço com o outro, em cada peça que produzir. 

QUEM É

Marília Sousa  se formou no inicio do ano em design de moda pela  Unifacs. Atualmente, ela cursa o Bacharelado em Humanidades na Ufba.   Há menos de um mês, Marília criou também a marca Nós por Nós Bordado e Crochê com Carinho. 
 

Fonte: Correio