Pandemia na cama: 10 dicas para evitar que a tensão do vírus vire problema no sexo; veja

O último ano foi difícil. O medo da covid-19 e os altos índices de mortes pela doença podem interferir na estabilidade emocional e física de qualquer pessoa. E uma vez sobrecarregado ou tenso, este mesmo indivíduo pode ter qualquer área de sua vida afetada. Pensando nisso, o programa Saúde e Bem Estar, do CORREIO, comandado pelo jornalista Jorge Gauthier, convidou o médico integrativo, Jorge Valente, para dar dicas que ajudem as pessoas a evitar que a tensão da pandemia interfira em suas vidas sexuais.

O programa ao vivo, que aconteceu nesta terça-feira (6), contou com as dicas do médico para melhorar a vida sexual durante este período. As indicações do convidado são simples e vão desde uma alimentação mais saudável ao incentivo de um diálogo maior para o casal. O médico Jorge também comentou sobre a interferência das questões hormonais como uma possível causa de problemas no sexo. No entanto, ele reforça que é importante saber que a mente é um dos dos fatores que mais podem afetar uma pessoa. “O impacto da pandemia é, também, emocional”, resume.

Valente é formado pela Universidade Federal da Bahia com residência em Ginecologia. Foi delegado regional da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina e é membro vitalício da International Uroginecology Association. Tem 22 anos de experiência com implantes hormonais. Foi por 11 anos diretor médico do Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana (CEPARH), onde pesquisou e desenvolveu protocolos de reposição hormonal. Atualmente, se dedica também a tratamentos voltados para emagrecimento e longevidade em homens e mulheres.

Veja algumas perguntas feitas pelos leitores do CORREIO e respondidas pelo médico: 

P: É possível, de fato, deixar a tensão da vida fora da cama na hora do sexo? Como fazer isso?

R: Um dos fatores que leva qualquer pessoa, independente do momento de vida, a ter problemas sexuais é a saúde da mente. O que mais tenho recebido em meu consultório são pessoas com esse desequilíbrio emocional que acabam canalizando isso para a comida ou outras situações de vícios. O impacto do confinamento e das incertezas da vida, do emprego e da segurança geram impactos psicológicos que interferem em todas as searas da vida, inclusive a sexual. Então procurar um acompanhamento terapêutico é essencial.

P: Como diferenciar que um problema sexual é uma questão comportamental e não uma ação hormonal?

R: Para avaliar se uma disfunção sexual é hormonal, é preciso analisar o caso. Se deve fazer um exame de sangue para avaliar os índices hormonais. Caso eles estejam normais, o problema é emocional. Caso os exames mostrem desvios nas taxas, o primeiro passo para corrigir a questão hormonal é a alimentação. Ela interfere diretamente para a normalização hormonal. E, a depender do caso, fazer algum tipo de tratamento com medicamentos ou reposição hormonal.

P: Quem pode fazer reposição hormonal?

R: O primeiro passo é entender o que está causando essa deficiência para corrigi-la. Às vezes, através da alimentação, uma simples reposição de certos nutrientes resolve. Agora, se for uma situação relacionada a um déficit do corpo, no qual a normalidade da produção não vai poder ser feita, como uma mulher na menopausa ou um homem que está com deficiência androgênica, aí é recomendada a reposição hormonal.

P: Vânia tem 52 anos e é casada há 15. Desde o começo da pandemia, ela só transou com o marido 3 vezes por não sentir vontade. O que pode ser? Desinteresse no casamento ou problema de hormônio?

R: É necessária uma avaliação individual para saber. É possível que seja algo causado pelas duas coisas – separadas ou juntas. Quando você está num ambiente de confinamento acontecem mais brigas, por exemplo. Além disso, a mulher precisa estar bem psicologicamente para querer o sexo, já o homem não. Às vezes ele pode procurar o sexo como um anciolítico. Então as duas coisas podem estar acontecendo, tanto uma questão psicológica como hormonal. Como ele está numa faixa etária que pode estar próxima ou já na menopausa, existir um fator hormonal envolvido é uma possibilidade. Mas só é possível ter certeza através de uma avaliação médica.

P: Rodrigo tem 32 anos. Por conta da pandemia, tem se masturbado com uma frequência muito maior e está com medo de ficar com ejaculação precoce. Como evitar isso?

R: A masturbação não vai causar a ejaculação precoce. Na verdade, existem técnicas de aprendizado para vencer a ejaculação precoce através da masturbação. O que essa pessoa tem que ver é esse excesso porque ele pode ser um problema. Talvez procurar uma terapia para ver isso e entender qual gatilho que está levando a esse excesso.

P: Em uma live recente, o cantor Leonardo falou que não conseguiu, por muito tempo, ejacular e só conseguiu depois de três meses. Muitos leitores mandaram mensagem falando que estavam com situações parecidas. Isso é comum ou é o momento de procurar o atendimento especializado?

R: Este é o momento de procurar o atendimento especializado porque isso não é comum. Neste caso, ter prazer sem orgasmo é um desvio da normalidade. Problemas físicos ou psicológicos podem causar isso. Então é importante procurar um urologista para avaliar o que está ocasionando este problema sexual.

P: Janaína falou que está com covid e isolada do marido, em casas separadas. O que pode ser feito numa situação como essas?

R: É comum, tanto nos homens quanto nas mulheres, ter uma queda nos níveis de testosterona depois do coronavírus. E isso pode acarretar na queda da libido. E mesmo que isso seja algo fugaz, que se normaliza naturalmente logo nos dois primeiros meses, é importante procurar um médico. Um profissional com uma visão integrativa pode ajudar com isso. A alimentação, atividade física e auxílio psicológico podem ajudar a corrigir essas disfunções orgânicas e mentais para ajudar a restabelecer a vida sexual desse casal.

P: Há alguma complicação na prática sexual quando duas pessoas estão com covid?

R: Em primeiro lugar, é preciso pensar nas variantes. Não é porque as duas pessoas estão com covid que elas estão contaminadas pela mesma cepa. Além disso, a depender da gravidade do caso, qualquer atividade física deve ser evitada. Mesmo que não existam estudos que comprovem que fluidos sexuais possam transmitir covid, é importante se cuidar. Acho que a quarentena de 14 dias deve ser respeitada.

P: Juliana fala que perdeu o fôlego pós-covid e não consegue mais ter o desempenho sexual que tinha antes. O que fazer?

R: Algumas sequelas da covid podem durar de 6 a 9 meses depois da infecção. E uma dessas, é a dinâmica pulmonar. Por isso ela está “sem preparo físico” para a atividade sexual. É como se ela estivesse fazendo algum exercício e faltasse fôlego. Ela precisa tratar essa sequela pulmonar com um especialista e só aí vai voltar a ter a função pulmonar normalizada. E não só para voltar a ter uma vida sexual normal, mas para poder voltar a praticar qualquer atividade física que exija esforço respiratório.

P: Quanto a alimentação, o que ajuda?

R: A redução de glúten, açúcar simples, derivados de leite, óleos vegetais e álcool, principalmente, ajuda na saúde no geral, inclusive na sexual. E aí dar preferência a frutas, carnes magras, frutos do mar e oleaginosas. Essas são algumas mudanças alimentares que podem fazer a diferença.

P: Quais as principais dicas para manter a saúde mental e sexual durante a pandemia?

R: Criar uma rotina é importante para guiar o dia a dia. Além disso, atividades físicas e uma alimentação saudável são as melhores coisas para se manter com saúde. Para relaxar, é legal tirar uns 5 a 10 minutinhos para meditar. Se você acredita em alguma religião, rezar é algo interessante. Tomar sol é outra coisa que ajuda. Se aproximar da normalidade é o caminho. E para os casais que acham que andam com problemas por conta do sexo – ou falta dele – é interesse refletir sobre isso. Às vezes, a pandemia só fechou a conta de uma coisa que já estava aberta. Então uma terapia para pensar no relacionamento e em si mesmo é essencial.

*com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

Fonte: Correio