Saída da Ford da Bahia gera maior tombo na indústria desde maio de 2020, diz IBGE

Os impactos do fechamento da fábrica da Ford na cidade de Camaçari. Região Metropolitana de Salvador (RMS), já começam a ser sentidos na economia baiana. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do estado teve o seu pior desempenho desde maio de 2020.  

Trata-se da terceira queda seguida frente ao mês anterior. Se comparado a janeiro de 2021, a queda é de 5,8%. O resultado é bem abaixo da média nacional de -0,7%. Já comparado com a produção da indústria antes da pandemia de covid-19, o setor registrou queda de 17,6% entre março de 2020 e fevereiro de 2021. Em relação a fevereiro de 2020, a redução é de 20,9%.  

Para o gerente de estudos Técnicos da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Ricardo Kawabe, o resultado já era esperado. “A Ford era a 5ª maior empresa da Bahia em termos de PIB industrial e ela não reduziu a sua produção, simplesmente parou. Nos números, é como se ela tivesse sumido de uma hora para outra e isso afeta o cálculo do agregado industrial. O setor automobilístico foi excluído da nossa matriz”, diz o especialista, que aposta em um ano de resultados negatívos na industria baiana por esse motivo.   

“Sem contar nos milhares de empregos diretos e indiretos que desapareceram. São pessoas que deixaram de ter renda garantida, carteira assinada e plano de saúde. Isso traduz em menos consumo e impacto nas cidades, principalmente a de Camaçari. Reduz a demanda por serviços mais qualificados e a quantidade de impostos pagos para o governo”, explica.  

Sobre isso, o vice-governador João Leão, que também é secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE), disse que a própria região de Camaçari tem condições de absorver os profissionais qualificados demitidos. “Principalmente em vista dos diversos projetos químicos/petroquímicos que estão sendo negociados pelo estado para implantação no Polo Industrial de Camaçari”, disse.  

A Superintendência De Estudos Econômicos E Sociais (SEI) também foi questionada sobre o assunto, mas não respondeu até o fechamento desse texto.  

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro. 

Fonte: Correio