Após liberação de escolas, Movimento Volta às Aulas realiza ato de apoio ao prefeito

No final da manhã desse sábado (24), um grupo formado por pais e mães se concentraram na frente do Porto Trapiche Residence, residência do prefeito Bruno Reis, para agradecer o retorno das aulas na capital baiana. O grupo que integra o Movimento Volta às Aulas Salvador começou a manifestação em frente à Secretaria Estadual de Educação, no Centro Administrativo, e seguiram em carreata até a Avenida Contorno, onde aplaudiram a iniciativa do gestor público.

De acordo com uma das integrantes do movimento, a médica pediatra Paula Tannus, que tem um filho de 6 anos, os efeitos do isolamento social têm impactado de forma muito mais negativa a saúde das crianças que o risco de contaminação. “Crianças com esgotamento mental e precisando de acompanhamento psiquiátrico e antidepressivos são constantes no consultório. Se as escolas seguirem os protocolos, o retorno às aulas deixa de ser algo perigoso”, defendeu.

Com uma postura parecida, a mãe Diana Barros acredita que as escolas são ambientes mais seguros que alguns lares. “Se as escolas seguirem os protocolos de segurança e adotarem o sistema híbrido, teremos crianças seguras, com a socialização mantida e saúde mental também”, enfatizou. Para ela, a situação na Bahia ganhou contornos políticos e que a única preocupação do Movimento é garantir que as crianças tenham direito ao desenvolvimento saudável. “Se outros setores da sociedade voltaram a funcionar como é que as escolas não podem voltar?”, questiona. 

Vulneráveis

Diana diz que fora das escolas às crianças ficam muito mais vulneráveis, seja à questão da violência doméstica ou aos problemas advindos do distanciamento social. “Chega! Os idosos estão vacinados, os professores começarão a ser vacinados. Não tem nada que justifique não retomar às aulas presenciais”, reforçou, defendendo que casos como o do garoto Henry Borel Medeiros, de 4 anos, supostamente vítima de violência doméstica, seriam minimizados com o retorno das escolas e das aulas presenciais.

Mãe de duas crianças, a oncologista Stela Dourado também foi aplaudir a decisão do munícipio e cobrou que o estado também adote postura similar. “Somos absolutamente à favor da vacinação dos professores e demais profissionais de saúde, mas somos contra ao condicionamento do retorno às aulas à vacinação desses profissionais. Tem mais de um ano que outros profissionais que atuam em serviços essenciais estão trabalhando, inclusive, motoristas de ônibus e outros tantos”, justificou.

A manifestante Regina Lenen fez questão de ressaltar o prejuízo que a suspensão das aulas traz na vida do país. “Várias pesquisas indicam que essa situação trará um atraso de 20 anos para a educação. Não é possível que isso permaneça”, reclamou. Para ela, os professores deveriam estar ao lado dos pais diante dessa situação.  

Retorno

A proposta de retorno da Prefeitura prevê que as escolas funcionem presencialmente de segunda a sexta, obedecendo aos protocolos de segurança e prevenção, com a obrigatoriedade do uso de máscaras, acesso às instituições com controle de fluxos, organização de horários para evitar aglomerações no acesso. Nas escolas municipais, os alunos terão aula em dias alternados. Nos dias em que não tiverem aulas presenciais, os estudantes vão realizar atividades como aula online, aulas pela TV, estudos dirigidos e atividades impressas. A direção da Associação dos Professores Licenciados do Brasil – Bahia (APLB-BA) já se posicionou defendendo que aulas presenciais só devem ocorrer com a imunização de todos os profissionais em Educação.  

Para o infectologista Matheus Todt, da SOS Vida, a situação é, no mínimo, delicada, pois se há abertura de shoppings e outros locais, não haveria justificativa plausível para que as escolas não fossem abertas. “Do meu ponto de vista, estamos fazendo uma flexibilização precoce, pois ainda não atingimos a nenhum dos patamares indicados pela Organização Mundial de Saúde, a exemplo do número decrescente de casos e a redução nos internamentos”, esclarece o especialista. Para ele, o cenário ainda é incerto e, por isso mesmo, arriscado. “As crianças não são grupo de risco e costumam complicar menos, no entanto, não se pode esquecer que elas são importantes vetores de transmissão”, finaliza.

Fonte: Correio