Com abraço simbólico, grupo cobra medidas de preservação para restinga de Stella Maris

Descrita como uma planície arenosa, de origem marinha, que contempla praia, cordões arenosos, depressões entre-cordões, dunas e margem de lagunas, a restinga da área de Stella Maris foi o palco de um manifesto pacífico que moradores e ambientalistas fizeram na manhã desse sábado,24. 

Os manifestantes, liderados pelo grupo SOS Stella Maris, fizeram questão de sensibilizar a população para os perigos que a retirada dessa vegetação traz para a praia, que fica sem contenção e retenção da areia. Além do perigo para fauna, que fica sem o abrigo da vegetação nativa. Na oportunidade, os manifestantes também cobraram dos poderes públicos o remanejamento dos esgotos clandestinos, que são despejados na praia e a discussão das obras de requalificação realizadas no local.

Para o voluntário da ong, o educador físico Lander Salgado, se as obras realizadas comprometerem a restinga, a área ficará sem a certificação e o selo azul, que prevê um turismo sustentável e ambientalmente responsável. “Essa certificação é importantíssima para o local e para os moradores dessa região, que é uma das poucas praias do litoral soteropolitano que ainda não sofreu com a urbanização excessiva”, disse. 

Apelo

O turismólogo Moisés Pinheiro fez questão de ressaltar que alguns contatos já foram realizados com os órgãos públicos, mas até agora nada foi efetivamente realizado e que as obras continuaram nos mesmos moldes. “Soubemos que a Embasa poderia fornecer um estudo sobre o esgotamento dessa área, mas não houve, até o momento, um posicionamento concreto sobre o que poderia ser feito para evitar que a possível solução da requalificação se transforme num problema ainda maior para o meio ambiente”, reforçou.

A oceanógrafa Iasmin Gargur enfatizou que não se tratava de uma manifestação contra obras de requalificação, mas a favor do meio ambiente e de todos os seres vivos que dependem daquele sistema equilibrado e vivo. “Toda essa vegetação funciona como uma franja que protege contra a erosão marinha e garante a preservação do local, como também do Parque das Dunas. Estamos pedindo que isso seja protegido mantido e recuperado”, disse.

Presente à manifestação, a bióloga Débora Bluhu chamou atenção que além da preservação da fauna e flora locais, qualquer projeto que seja realizado na área precisa adotar medidas protetivas para que não haja impermeabilização do solo, que recebe as águas das chuvas e alimentam as lagoas, e que garantam a acessibilidade.  “O resgate dos animais também precisam ser realizados com cuidados especiais. O que temos visto aqui é chocante e se não fossem os voluntários das diversas ongs que atuam aqui e a participação dos moradores, teríamos perdido inúmeros indivíduos por descuido”, completou. 

Após o abraço simbólico realizado na área, os manifestantes fixaram os cartazes na sede da obra como um apelo para que as obras não destruam os sistemas ecológicos presentes na região.

Fonte: Correio