Anvisa nega pedido de importação e uso da vacina Sputnik V

A Anvisa negou, por unanimidade, a importação e o uso da vacina russa Sputnik V pelo Brasil. O relator Alex Machado Campos destacou a “falta de documentação” e os possíveis riscos do imunizante à saúde como critérios determinantes para a negativa. 
 
Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou que a agência “não pode agir ao arrepio de sua missão”.
 
Sem citar diretamente os críticos da agência em relação à vacina russa, Antônio Barra Torres disse que a Anvisa “nunca teve apego às questões burocráticas ou desrespeito para com a vida humana”. Segundo ele,  é impossível atestar as reais condições de fabricação do produto porque a Anvisa não teve permissão para inspecionar as fábricas na Rússia.
 
O colegiado se reuniu de forma extraordinária para cumprir decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, que concedeu um prazo de 30 dias para que a agência reguladora decidisse sobre o uso do imunizante, a partir de um pedido protocolado pela União Química, em 25 de março.
 
Gerente aponta possíveis riscos à saúde
 
O gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, disse que a Sputnik V pode ser prejudicial à saúde. Segundo ele, a vacina usa um tipo de vírus que se replica naturalmente. “Isso significa que o vírus que deve ser utilizado apenas para carregar material genético do coronavírus para as células humanas e, assim, promover a resposta imune, ele mesmo se replica, e isso é uma não conformidade grave. (…) este procedimento está em desacordo com o desenvolvimento de qualquer vacina de vetor viral”, disse.
 
De acordo com o gerente, a Anvisa identificou que isso seria uma falha na estratégia do controle de qualidade. “A empresa não demonstrou que controla de forma eficiente os processos para controlar outros vírus contaminantes também”, disse Gustavo Mendes. 
 
A Anvisa também criticou a ausência de dados. Nesta segunda-feira, uma liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski determina que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se manifeste, nos próximos 30 dias, sobre a possibilidade da Bahia importar a vacina Sputnik V, contra a Covid-19. O estado comprou 9,7 milhões de doses da Sputnik V.

Fonte: Correio