Pandemia: mais de 700 mil refeições já foram distribuídas para população vulnerável em Salvador

Pessoas já vulneráveis socialmente têm sofrido uma pressão ainda maior com o agravamento da pandemia no país. A alta no desemprego e no preço dos alimentos faz com que ter o que comer seja um desafio diário. Um estudo feito pela Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade de Brasília (UnB), mostra que, durante este período, mais de 125 milhões de brasileiros não se alimentam como deveriam ou já tinham algum tipo de incerteza quanto ao acesso à alimentação no futuro. O Nordeste apresenta a situação mais grave, com 73,1% dos domicílios em situação de insegurança alimentar.

Em Salvador, os restaurantes populares têm sido os meios mais acessíveis para que pessoas de baixa renda e em situação de rua consigam obter refeições de qualidade de forma gratuita, sobretudo durante a pandemia de Covid-19. Os estabelecimentos, que ficam nos bairros de Pau da Lima e São Tomé de Paripe, tiveram a capacidade de atendimento ampliada no mês passado. Juntas, as unidades passaram a fornecer de 700 para 1 mil quentinhas por dia. As estruturas não estão recebendo a população nos refeitórios como forma de minimizar o contágio do novo coronavírus e não gerar aglomerações. 

As quentinhas são compostas por refeição principal e lanche da tarde. O cardápio é montado sob supervisão nutricional, com proteína, carboidrato, salada e fruta.  Para ter acesso às refeições não é necessário cadastro prévio. Os restaurantes atendem de segunda a sexta-feira, sempre das 11h30 às 13h30.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis, ressalta que mais de 700 mil refeições já foram distribuídas pela Prefeitura na cidade. Ele acredita que a continuidade das ações sociais e investimentos são importantes para amenizar as consequências e os efeitos da pandemia à população carente.

“Nós vamos seguir investindo muito. Entendemos que algumas medidas de combate ao vírus são necessárias e é por isso que a Prefeitura dá esse amparo, protege quem mais precisa e ajuda as pessoas que estão passando necessidade nesse momento”
Bruno Reis, prefeito de Salvador

Recomeçar Sempre
Atualmente, a Prefeitura destina R$20 milhões por mês somente na área social. Em um ano, essas ações que visam minimizar os desdobramentos sociais da pandemia já alcançaram marcas como a distribuição de mais 1,6 milhões de cestas básicas e R$ 71 milhões pagos a até 37 mil famílias beneficiadas pelo programa Salvador Por Todos, auxílio municipal de R$ 270 mensais. Mas as iniciativas vão além: cursos profissionalizantes também são oferecidos para a população mais vulnerável, como incentivo de ajudar essas pessoas durante a retomada econômica da cidade.

Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) realiza, desde novembro do ano passado, cursos profissionalizantes na área de Gastronomia. O Programa Recomeçar Sempre é visto como uma forma de promover geração de renda e autonomia financeira daquele que sofre impactos financeiros e sociais. Após o término das aulas, os concluintes recebem a credencial de ambulante, emitida pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), para que possam empreender.

“Acreditamos que, por meio da qualificação e formação profissional, podemos, sim, contribuir para que as pessoas em vulnerabilidade social possam descobrir e desenvolver novas habilidades, e que a partir da comercialização dos produtos feitos por eles, possam gerar sua própria renda. O Recomeçar Sempre é sinônimo de autonomia”
Kiki Bispo, secretário da Sempre

As atividades são realizadas no Restaurante Popular de Pau da Lima. O espaço oferece capacitação, insumos e acompanhamento socioassistencial. A ação foi iniciada para com preferências para mulheres chefes de famílias, pessoas e famílias em situação de rua, beneficiários do Auxílio Moradia, indivíduos e famílias usuários dos serviços de fornecimento de refeição, além de assistidos pelos CRAS, CREAS, Centros POP, UAIS e desempregados, com faixa etária entre 18 e 60 anos.

Fonte: Correio