Questionado sobre 'CPF cancelado', Bolsonaro chama jornalista de 'idiota' na Bahia

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou uma jornalista da TV Aratu de “idiota” depois que ela fez uma pergunta sobre a foto que ele tirou segurando uma imagem escrita CPF cancelado, no fim de semana. Bolsonaro veio a Feira de Santana nesta segunda-feira (26) para inauguração de um trecho da BR-101. 

“O senhor foi criticado sobre uma foto postada dizendo ‘CPF cancelado’ num momento que tantas pessoas morreram. O que senhor tem a dizer sobre isso?”, questiona Driele Veiga. “Você não tem o que perguntar não? Deixa de ser idiota”, rebate Bolsonaro. “O presidente agredindo a repórter verbalmente”, diz a jornalista para o apresentador Casemiro Neto. “Acabou de me chamar inclusive de idiota por conta de uma pergunta a respeito de uma foto publicada por ele, que ele recebeu muitas críticas por conta do momento que a gente vive com mais de 300 mil pessoas mortas (por covid)”.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) lamentou o comportamento do presidente, repudiando o fato dele chamar a repórter de idiota “somente por estar exercendo seu ofício que é entrevistar aquele investido em cargo público”. Presidente da entidade, Moacy Neves afirmou que o xingamento revela uma faceta imatura e autoritária de Bolsonaro, que teria dificuldade em convier com a crítica e o contraditório.

“É comum que pessoas imaturas e políticos autoritários ajam com grosseria, falta de educação e violência quando confrontados com seus erros e irresponsabilidades, aumentando o grau de irracionalidade quando se tratar de um homem e do outro lado estiverem as mulheres”, diz ele. “A maior autoridade do país não pode incentivar desrespeito aos direitos humanos e nem agir com grosseria com a imprensa, que é os olhos e a forma de comunicação entre os poderes e a sociedade”, acrescenta.

CPF cancelado
Bolsonaro posou para fotos exibindo um cartaz com a mensagem “CPF cancelado” na sexta-feira (23), em Manaus, ao lado de várias pessoas, incluindo o apresentador Sikêra Júnior, que tornou a expressão popular. A frase geralmente é usada para se referir a suspeitos mortos pela polícia. 

Na ocasião, Bolsonaro foi criticado pela falta de sensibilidade de tirar uma foto com essa imagem em um momento com tantas mortes no país. A própria expressão também é alvo de críticas.

Fonte: Correio