'Se os professores não voltarem, serão 4 anos perdidos', diz Bruno Reis

Três dias antes  da volta às aulas nas escolas públicas municipais de Salvador, um ar de preocupação dominava o semblante do prefeito Bruno Reis (DEM) durante coletiva virtual realizada na sexta-feira. Tudo por causa do impasse que ameaça o calendário de retomada da rede. Diante da disposição do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB) para levar adiante a paralisação prevista para a próxima segunda, restou ao prefeito apelar para os profissionais da categoria. Em especial, aos que conduzem os trabalho dentro das salas.

“A gente espera que os professores voltem. Fazemos um apelo para que eles possam voltar. Uma coisa é a posição do sindicato, outra coisa é a posição dos professores. Peço, por amor à causa da educação, que eles possam retornar”, afirmou Bruno Reis. “Conto com o apoio e participação dos professores para gente voltar de forma segura, tranquila, com distanciamento, com metade da capacidade das escolas. Com todos esses critérios, protocolos, temos condições de oferecer uma volta segura. Como sempre, colocando a vida em primeiro lugar”, emendou.

O apelo do prefeito  tem como base o cenário pandêmico em Salvador que, garantiu ele, melhorou significativamente. Os principais índices continuarão monitorados, inclusive, nas escola, com o auxílio de universidades. “Cada dia, a gente vai avaliar o cenário para ir tomando as decisões. O fator RT (taxa de transmissão) está sob controle, abaixo de 1%, o número de casos ativos, novos casos e taxa de crescimento caindo. E (o secretário municipal de Educação) Marcelo Oliveira conseguiu, em parceria com as universidades, que algumas escolas tenham profissionais dessas instituições para monitorar os índices”, detalhou.

Primeira dose é entrave para retorno
Embora a  prefeitura garanta vacinar 80% dos trabalhadores da educação das redes pública e privada até segunda, a categoria só receberá a primeira dose. Esse é o único ponto que ainda mantém a APLB em rota de colisão contra a volta às aulas. Segundo o prefeito, todas as outras 12 reivindicações do sindicato foram atendidas. Bruno Reis assegurou ainda que a maior porcentagem de imunidade é adquirida já nessa etapa inicial da vacinação.

“Acabou coincidindo, essa semana, com a aplicação das doses da Astrazeneca/Oxford, que é uma vacina que só se toma a segunda dose com 90 dias. Mas que, diferente das outras, tem capacidade de elevar a imunização da pessoa, e muito, com a primeira dose. Os cientistas apontam algo em torno de 76%, nos estudos que já foram realizados. A segunda só elevaria mais 6%”, argumenta Bruno Reis.  

Esperar mais dois meses para o retorno das aulas presenciais não seria viável, segundo ele. “Não faz sentido. Se a gente esperar 90 dias, vamos comprometer quatro anos letivos. Todas as capitais do Brasil já retornaram. Fiz questão de vacinar todos os trabalhadores da educação acima de 40 anos. Faltam, na nossa rede, apenas 3.270 . É  hora de voltar”, ponderou o prefeito.

Volta é opcional
A decisão de retomar às aulas colocou Salvador como a primeira cidade da Bahia a reabrir a rede de ensino durante a pandemia. “Mais uma vez, estamos saindo na frente de todas as cidades da Bahia, porque a realidade de Salvador é diferente”, afirmou. Mesmo com a medida, o retorno é facultativo.  Os pais e mães de alunos que não quiserem liberar os filhos por não se sentirem seguros poderão optar pelas aulas integralmente de forma virtual.

Porém, as crianças da educação infantil ainda não têm acesso a esse conteúdo.  “Não tem vídeo-aula para esse grupo. A gente faz um apelo para que esses pais tragam seus filhos. Estarão aqui todos os profissionais, o porteiro, a merendeira, auxiliar de serviços gerais, auxiliar administrativo e o corpo diretivo da escola. E esperamos que os professores possam vir”, reforça Bruno Reis, embora o pedido do prefeito ainda não tenha surtido efeito entre a categoria.  

Rodada inicial acaba sem acordo com sindicatos
A primeira reunião para discutir o impasse sobre o retorno às aulas, ainda em modelo semipresencial, terminou na sexta-feira sem acordo, mas abriu caminho para construção de  consenso entre trabalhadores, donos de escolas e a direção da rede municipal de ensino. Prefeitura e os colégios particulares chegaram a elaborar uma proposta a ser discutida em uma nova rodada de negociações, enquanto os sindicatos de professores se comprometeram a submetê-la em assembleia na próxima semana, para que a categoria se aceita trabalhar sem a outra dose para os profissionais da educação. 

A próxima rodada está marcada para quinta que vem, às 17h, também de forma virtual. A APLB e o Sinpro, sindicato que reúne professores das escolas particulares, pontuaram que a categoria já havia rejeitado em assembleia o retorno presencial. Entretanto, o secretário municipal da Educação, Marcelo Oliveira, disse que as aulas voltam na segunda, mesmo que os professores dos dois sindicatos não retornem. “Eles representam um terço da força de trabalho. Estaremos lá com os outros dois terços”, afirmou.

Protocolo e medidas adotadas para tornar o retorno da educação mais seguro

Regras sanitárias
Máscaras são exigidas para todos na escola. Estudantes devem higienizar as mãos com água potável e sabão ou devem realizar o uso de álcool 70%.  As escolas devem organizar as entradas e saídas de acordo com o segmento e porte da escola para ter maior controle.

Medidas de distanciamento
Será obrigatória a distância  mínima de 1,5m entre as carteiras nas salas, que deverão estar limitadas a 50% da capacidade total. Nos refeitório, haverá  redução do número de alunos por mesa. Caso não seja possível, a merenda  será servida do modo individual na sala de aula.

Controle de acesso
Estudantes, professores e funcionários terão a  temperatura medida na entrada da escola. Os que tiverem com suspeita de covid-19 serão encaminhados para um posto de saúde. Será proibida a entrada de pais, mães ou responsável no período das aulas.  Recomenda-se a utilização de tapetes higienizantes para limpeza dos calçados.

Vacina para 80% da equipe
Prefeitura conclui até segunda a aplicação da primeira dose da vacina AstraZeneca/Oxford, tida como mais eficaz, para quase todos os profissionais.

Fonte: Correio