Anvisa diz que barrou Sputnik V com base em documentos do próprio fabricante

Em comunicado transmitido na tarde desta quinta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), acusada pela Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19, de “difamação” e ameaçada de processo judicial, apresentou dados da fabricante, o Instituto Gamaleya, que demonstram a presença de adenovírus replicante no inoculante.

Em suma, isso significa que o que foi deliberado pela Diretoria Colegiada da agência reguladora na última segunda-feira (26), quando o pedido de importação da vacina foi negado, foi, em parte, comprovado.

Além dos documentos, um vídeo de uma reunião da Anvisa em 23 de março, que mostra trecho da discussão que embasou a decisão, foi apresentado. Nela, representantes do Gameleya admitem a presença do adenovírus replicante. Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, lamentou a acusação feita pela Sputnik V.

“A Anvisa foi acusada de mentir, de atuar de maneira antiética e de produzir fake news sobre a identificação do adenovírus replicante em documentos que tratam da vacina Sputnik V. Não há, nesta instituição, nenhuma pessoa que tenha qualquer interesse ou júbilo em negar a importação de qualquer vacina”, ressaltou.

O diretor-presidente informou que os “resultados da avaliação da Anvisa quanto à importação da vacina foram enviados à OMS e para outras entidades regulatórias estrangeiras”.

“Há muito tempo, todos os limites da dedicação, do empenho e do esforço profissional já foram superados por todos nós, principalmente pelos servidores concursados dessa casa. Esses limites, do quanto é possível se doar, e fazer de sua própria vida renúncia, já foram cruzados há muitos meses”, declarou Barra Torres.

“Nós temos, repetidas vezes, dito: o inimigo é um só. Ele é invisível, é incidioso, é capaz de colocar indivíduos, cidades, países, sociedades, continentes, todo o planeta, de joelhos. Conclamo a todos a reflexão do que é verdadeiramente útil, e, mais do que isso, imprescindível neste momento. Se a resposta não for a união dos esforços em detrimento de toda e qualquer diferença política, social, econômica, ou de qualquer outra natureza, o resultado é esse que temos aí: 400 mil vidas perdidas”, concluiu. 

Assista ao comunicado:

Fonte: Agencia Brasil