Grupo que explodiu caixas eletrônicos em Mussurunga usava metralhadoras e fuzis

Uma única detonação e a poeira cinza tomou conta da rua. Depois de entender que se tratava de uma tentativa de assalto, os moradores acordaram apavorados. Isso porque pelo menos 10 homens encapuzados armados de fuzis e metralhadoras explodiram os dois caixas eletrônicos de um mercadinho no bairro de Mussurunga II na madrugada desta segunda-feira (3).  Na ação, que durou aproximadamente 15 minutos, os homens usaram um dos três carros em que chegaram para bloquear a única via que dá acesso ao local.

Apesar de toda logística da quadrilha, os cofres dos terminais não foram violados e não houve reféns, situação bem diferente que ocorreu no último dia 30, quando criminosos proveram o terror no Largo do Tanque.  Durante o ataque a agência da Caixa Econômica Federal do Largo do Tanque, os bandidos fizeram cerca de 30 pessoas de escudos humanos e fugiram com malotes após explodirem os caixas eletrônicos. 

A explosão aos caixas eletrônicos no mercadinho é investigada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). Não há pistas dos criminosos.  

Detonação
Moradores de Mussurunga II contaram ao CORREIO que, por volta das 3h30 desta madrugada, os bandidos chegaram em três carros à Rua Jorge Valente, no setor J. A via não tem saída e eles colocaram um dos próprios veículos atravessado na via para fazer um bloqueio, a pouco metros do Mercadinho TJ, alvo da denotação.  “Estava com insônia quando escutei uma movimentação de gente do lado de fora. Quando cheguei na janela, vi os homens distribuídos. Um grupo posicionado perto do carro do bloqueio e outro em frente ao mercadinho”, contou um morador ao CORREIO. 

A explosão aconteceu no depósito do estabelecimentos. “Eles chegaram e cortaram a corrente de energia e entraram no depósito. Os caixas eletrônicos ficam logo na entrada e ao fundo estão o estoque de cervejas e caixas de produtos diversos. Os caixas eletrônicos ficaram só com a frente destruída, mas os bandidos não levaram o dinheiro porque a explosão não fui suficiente para dar acesso ao cofre. Agora, as mercadorias lá dentro ainda não sei”, disse a dona do mercadinho, que preferiu não revelar o nome. 

Apesar da destruição, os bandidos não levaram o dinheuro dos caixas (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Ela tem o mercadinho no local há 15 anos e de lá para cá, estava foi a primeira vez que o estabelecimento foi atacado por bandidos. “Para ser ter uma ideia, nunca teve um assalto aqui. Isso porque há pouco mais de um ano, tínhamos no setor J uma base da Rondesp Central. Como aqui é uma rua sem saída, ninguém que assaltar porque seria facilmente pegos pelos policiais. Há um ano a Rondesp saiu e há um ano estamos tendo assaltos aqui na região”, disse a mulher, que não sabe se vai reabrir o mercadinho. 

Durante a ação, os criminosos efetuaram disparos para o alto. “Atiraram várias vezes para intimidar as pessoas. Quando algum desavisado colocava a cara na rua, eles atiravam (para cima). Minha esposa estava em casa e entrou em pânico, com medo dos tiros atravessarem as paredes e atingir ela e as crianças. Eu estava no trabalho, no condomínio AlphaVille II (Avenida Paralela), e escutei a detonação e os disparos”, disse um morador, que trabalha como vigilante. 

Ao perceberem a impossibilidade de levar o dinheiro, a quadrilha fugiu efetuando vários disparos. Em seguida, a polícia foi chamada. Em nota, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª CIPM (São Cristóvão) foram acionados pelo Cicom para atender a uma ocorrência em que suspeitos armados atiraram e explodiram caixas eletrônicos em Mussurunga II. “Guarnições da unidade realizaram rondas na região, mas os suspeitos não foram localizados”, diz a nota.

Destruição
Apesar ter sido uma única detonação, o impacto deixou um rastro der destruição. Uma casa, que fica em cima do depósito, teve a estrutura comprometida e ficou com fissuras e rachaduras. “O ponto é alugado e, segundo a dona, um técnico da Defesa Civil já esteve aqui e orientou que ela procurasse um engenheiro para avaliar os danos. Estamos vendo como fazer isso, porque a empresa responsável pelos caixas eletrônicos disse que vai custear tudo, porque há um seguro para esta situação”, declarou a dona do marcadinho. 

Um casal estava na casa no momento da explosão. Eles estavam no quarto, que fica no fundo do imóvel. “O barulho foi grande. Acordamos pensando que a casa tinha desmoronado, mas logo percebi que ser tratava de um arrombamento aos caixas eletrônicos, então eu e minha mulher não saímos para nada”, contou o morador, que também não quis se identificar. Ele e a mulher ficaram impedidos de sair do imóvel, pois o acesso pela escada ficou comprometido pelos escombros. No momento em que a reportagem esteve no local, eles ainda aguardavam a equipe da empresa responsável pelos terminais terminar realizar a limpeza do local.

O prejuízo foi grande também para que mora no entorno do mercadinho. “O portão de minha casa arrebentou e as minhas janelas quebraram todas com a explosão. A casa tem vidro para todo o lado”, disse um homem que reside em frente ao estabelecimento explodido.  “As janelas de minha sala estouram para fora, por sorte. Minha filha dormiu no sofá e poderia ter sido atingida”, disse outro morador. 
 

Fonte: Correio