Segredos do sucesso: saiba como montar um negócio entre a família

Dados levantados pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que os negócios familiares representam 90% dos empreendimentos no Brasil. Com a pandemia do coronavírus, muitas famílias brasileiras decidiram investir em um negócio próprio, seja por desemprego de algum membro familiar ou por uma oportunidade surgida com a crise.

Depois de perder os pais para a COVID-19, Leonardo Santorio, 32, e a esposa, a enfermeira Naianne Siqueira, 31, inauguraram em março do ano passado uma loja especializada em bolos. “Queríamos ter uma fonte de renda e investir nossas economias de anos de trabalho em algo seguro e prazeroso.  Eu e minha esposa decidimos seguir os passos do meu sogro, Antônio Pedro dos Santos, que foi chefe de cozinha do Senac de Salvador por muitos anos”, conta Leonardo, lembrando que optou por uma franquia: a Casa de Bolos. “Logo nos identificamos com a história e principalmente nos encantamos com a qualidade e a proposta de levar uma comida confortável para a casa das pessoas”, conta o empresário que sempre acalentou o sonho de ter o próprio negócio.

Leonardo e Naianne decidiram investir em franquia para terem o próprio negócio e levar comida gostosa e confortável para os lares (Foto: Divulgação)

Para eles, o maior desafio foi abrir um negócio no meio da maior crise sanitária e econômica do mundo, quando muitos comércios estavam fechando. “A solução foi usar uma estratégia de marketing e confiar no sucesso do negócio formatado por uma rede que está entre as 50 maiores marcas de franquias do Brasil”, conta Leonardo.

O analista do Sebrae Bahia Fabrício Barreto reconhece que os empreendimentos familiares surgem de uma forma muito natural e acontecem informalmente. “Quando as pessoas percebem, já estão envolvidas no processo. Inclusive, esse fator é um grande risco e pode causar grandes problemas”, diz. 

Desafios e superações

Para Barreto, o  primeiro desafio é saber identificar a oportunidade de negócio diante da aptidão e capacidade de desenvolver algo. “Muitos desses negócios surgem por necessidade e, em outros casos, a oportunidade surge naturalmente. No contexto comportamental, é importante que se defina uma atribuição desse familiar dentro do processo, para que fique claro e essa pessoa possa crescer. É preciso saber qual o aproveitamento que ela vai ter dentro do negócio”, orienta.

Outro desafio é saber definir o que esse participante do negócio vai ter de resultado. “Vai ser financeiro, vai buscar o retorno no futuro? É importante avaliar todo o investimento que é feito, analisando também as questões de dedicação ao negócio”, complementa.

Para o representante do Sebrae, na implantação de um negócio não se pode perder de vista a questão organizacional. “Se essa empresa opera em casa, saber dividir, dentro da gestão, qual é a receita que entra, o que realmente é do negócio, e as despesas da casa, é essencial. A gestão deve ser bem definida”, explica. 

Melhores oportunidades

Barreto reforça que antes de iniciar o negócio, é importante avaliar a viabilidade e procurar a orientação quanto aos cuidados e as razões de empreender. “O  novo empreendimento precisa trazer algo a mais, algo que possa encantar o cliente e não seja mais um no mercado. É preciso identificar o seu público para definir critérios que facilitem o acesso ao produto ou serviço”, ensina, lembrando que é importante também se atentar às questões logísticas e saber calcular todo o custo que envolve o processo da empresa (os insumos, as embalagens, taxas e outras questões), para projetar quais serão os desafios.

Fernando Galiteri, sócio da Praxis Business, empresa de consultoria e educação corporativa para o Franchising e Varejo, reforça que os segmentos de alimentação fora do lar, casa e construção e moda são alguns dos negócios mais comuns. Estes segmentos são estruturais para a economia do estado e estão aptos para uma retomada pós-pandemia.

“O último Índice de Cidades Empreendedoras, realizado pela Endeavor em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), que avaliou as 100 cidades mais populosas do Brasil, em um ranking que se baseia em sete critérios: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora; no estado da Bahia, as cidades que são mais favoráveis para esses negócios são SALVADOR (81ª), FEIRA DE SANTANA (92ª) e VITÓRIA DA CONQUISTA (97º)”, finaliza.

Fonte: Correio