Ataque em Saudades: jovem tentou entrar em todas as salas de creche para matar

O jovem Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, que cometeu nesta terça-feira (4) um atentado contra uma creche em Saudades, cidade no interior de Santa Catarina, tentou entrar em todas as salas da instituição para matar crianças e profissionais que estavam no local. Não fosse a ação das professoras, que trancaram a porta para protegerem as crianças, o suspeito teria tirado a vida de ainda mais pessoas. 

Três bebês com menos de dois anos e duas mulheres que trabalhavam no espaço foram mortos. Além disso, uma criança está internada em estado grave. “A bravura daquelas profissionais. Institivamente, elas se trancaram dentro das salas. Ele tentou entrar em todas as salas, mas não conseguiu”, relatou o delegado Jerônimo Marçal, que esteve na cena do crime. 

As informações foram repassadas em coletiva de imprensa realizada pelas forças de segurança da cidade e do Estado, o prefeito do município, Maciel Schneider, e a governadora interina, Daniela Reinehr.

As vítimas foram identificadas como Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses, Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses, Keli Adriani Aniecevski, de 30 anos, que era professora na creche, e a agente educacional Mirla Amanda Renner Costa, de 20 anos. Luto oficial de três dias foi decretado em Santa Catarina e em Saudades.

Bullying, barbaridade e espanto

Conforme retratado pelo delegado Jerônimo Marçal, Felipe era um jovem “quietão”, que vinha enfrentando problemas psicológicos nos últimos meses. Em conversas com pessoas próximas, os pais dele, e a irmã, o investigador foi informado que ninguém imaginava que o rapaz poderia cometer tal atrocidade.

“Era um rapaz problemático, mas dentro da normalidade. Ele vinha enfrentando bullying na escola, vinha maltratando alguns animais, era muito introspectivo. É aquele perfil que não é mais incomum. Gostava de jogos online, alguns com violência, tinha alguns problemas dentro de casa, inclusive não queria ir mais para escola. Era de uma família humilde, era trabalhador, e tinha R$ 11 mil em espécie guardado em casa”, relatou.

O jovem tentou tirar a própria vida após o atentado, mas não conseguiu, e está internado em um hospital de Chapecó. Ele estava no ensino médio, não tinha muitos amigos, ou relacionamentos amorosos, e havia comprado as duas armas brancas usadas no crime há “pouco tempo”, de acordo com Marçal. Não há, por ora, suspeita de envolvimento de outras pessoas ou grupos no ataque.

A perícia informou, preliminarmente, que todas as vítimas sofreram, ao menos, cinco facadas. Uma delas chegou a ter cinco perfurações nas costas, uma no tórax e uma na cabeça. Outra, três no abdômen, duas no tórax e uma nas costas.

Ainda, o terceiro bebê sofreu uma perfuração nas costas, uma no glúteo, uma no tórax e uma no abdômen. A professora foi esfaqueada nas pernas e nos braços, e seu corpo tinha quatro perfurações nas costas. A servidora morreu após duas facadas no abdômen. 

Jovem foi detido por populares

O sargento Marcos, da Polícia Militar, que atendeu à ocorrência, disse que, quando chegou à creche, se deparou com Felipe sangrando muito, com cortes no pescoço e em outras partes do corpo, detido por pessoas que ouviram os pedidos de socorro das professoras. O suspeito foi algemado, e afirmava que não conseguia respirar, conforme o militar. 

“Fiz a verificação que havia crianças e outras pessoas em óbito. Solicitei ajuda aos Bombeiros e iniciei os procedimentos. No momento, ele tentou suicídio, estava ensanguentado, deu um golpe no próprio pescoço. Não conversava muito, dizia que estava sem ar”, lembra o agente. 

Corpos serão liberados ainda nesta terça-feira

Os corpos das cinco vítimas do atentado em Saudades devem ser liberados para as famílias até as 22h desta terça-feira. Eles estão no necrotério do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, a 70 Km da cidade. 

Luto oficial de três dias

“É o dia mais triste da história de nosso município. Em uma cidade tranquila como a nossa, jamais sonhávamos em algum pesadelo que poderíamos passar pelo o que estamos passando”, lamentou Schneider, chorando, durante a entrevista. “Não há o que traga de volta, o que compense, mas o mínimo de solidariedade e acontecimento é o que buscamos fazer”, completou Daniela.

Fonte: Agencia Brasil