Vacinas contra Covid evitam casos graves, mas eficácia não é 100%

As vacinas contra a Covid reduzem consideravelmente as chances de uma pessoa imunizada desenvolver sintomas graves ou evoluir para o óbito, mas quem tomou as duas doses deve manter as medidas de prevenção – como uso de máscaras e distanciamento social. 

Nessa quinta-feira, durante depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que a morte do músico Nelson Sargento, aos 96 anos, era uma mostra de que a Coronavac não era eficaz. E Covas rebateu, explicando que nenhuma vacina no mundo oferece uma eficácia absoluta: “Os idosos respondem menos na produção de anticorpos em relação aos indivíduos mais jovens. Por isso que não é 100% de soroconversão, quer dizer, é 98% de indução de anticorpos”.

De acordo com o infectologista Carlos Starling, as vacinas contra a Covid evitam infecções, internações e quadros graves, mas nenhum imunizante é capaz de oferecer a mesma imunização a todos os indivíduos. “Não sei qual é a surpresa de que pessoas morrem de Covid depois de serem imunizadas. Todos sabemos que a vacina é fundamental, mas não é a única medida de prevenção. Ela não prescinde de medidas de isolamento social e uso de máscaras”, explica o médico, reforçando que o quadro clínico de um paciente, mesmo vacinado, pode piorar conforme a presença de doenças crônicas.

Nos ensaios clínicos, o Butantan havia verificado uma eficácia de 100% sobre casos graves de Covid, mas Starling explica que aquela constatação foi feita sobre um pequeno grupo participante dos estudos clínicos de fase 3. “Na vida real, os números são diferentes e dependem de diversos fatores. Não à toa, os estudos da Coronavac no Brasil indicaram eficácia de 57%, enquanto na Turquia, 90%”, disse Starling.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a vacinação já provoca impacto na redução de internações e mortes entre as pessoas com mais de 80 anos. Em janeiro, o grupo 80-89 anos correspondia a 25,1% dos óbitos por Covid no Estado, enquanto, em abril, a porcentagem caiu para 9,9%. No caso das pessoas com mais de 90 anos, entre esses dois meses a queda foi de 8,6% para 2%. 

Segundo o diretor de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte, Paulo Roberto Lopes, atualmente a maioria dos internados por Covid na cidade tem menos de 60 anos. Mas ainda é cedo para creditar o fato à vacinação, pois é preciso realizar análises mais detalhadas.

“Pode haver outros fatores, como o isolamento social e um maior cuidado entre os idosos, enquanto os mais jovens estão mais expostos no trabalho e em aglomerações, além de aderirem menos ao uso de máscara. Também devemos lembrar que este é um momento de grande circulação de variantes”, afirma Lopes, lembrando que na capital parte dos idosos foi vacinada com Astrazeneca e precisou esperar três meses para encerrar o esquema vacinal. 

Caso nos EUA

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos registrou 10.262 casos de pessoas que se infectaram após a imunização. Entre elas, 160 morreram, ou seja, 2% do total.

 

Fonte: Agencia Brasil