Ministro descarta risco de racionamento, mas fala em 'uso racional' de energia

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, diz que o Brasil não corre risco de racionamento de energia esse ano, mas pede um “uso racional” do recurso. O governo vai adotar várias medidas para garantir o fornecimento, especialmente neste segundo semestre, auge do período seco no país. Esse mês, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) emitiu pela primeira vez um alerta de “risco hídrico” por conta do período de poucas chuvas e de seca mais severa na região sudeste e centro-oeste.

O governo federal acionou a bandeira vermelha nível 2 para junho, o que significa uma cobrança adicional de R$ 6,24 por cada 100 quilowatts/hora de consumo. Também está fazendo levantamento sobre outas fontes de energia que podem ser usadas, como a termelétrica.

“Não trabalhamos com essa possibilidade (de racionamento) porque tudo indica que nós temos o controle da situação”, diz o ministro em entrevista a O Globo. “Todos os nossos modelos, nossos acompanhamentos indicam que não há risco de racionamento, de apagão, no ano de 2021. Esperamos chegar ao fim do ano numa situação mais confortável, para que a gente possa passar 2022 com tranquilidade e custo de energia mais baixo”, acrescenta.

O ministro diz que o consumidor deve ver a tarifa vermelha como um sinalizador de que “precisa fazer um uso mais racional da energia”. O governo pretende intensificar uma campanha para economia de energia e uso da água no país. “O governo não quer se surpreender e nem quer que todos os agentes sejam pegos de surpresa. Nós vamos dar previsibilidade a todos, para que possamos superar esse período da forma mais equilibrada possível”, diz.

Para o ministro, a crise hídrica é “um problema da sociedade brasileira”. Ele tem feito visitas a autoridades, como presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e planeja encontros com presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux. “Todos estão sabendo do que está ocorrendo. Nós estamos apresentando isso de forma transparente e solicitando a colaboração. Estamos conversando com todos”.

Entre as medidas já tomadas, o ministro cita a importação de energia da Argentina e do Uruguai. Agora, o foco é preservar os reservatórios. “Vamos utilizar o máximo que pudermos com outras fontes de energia”.

Fonte: Correio