Chagas critica atuação do Vitória contra o Inter: 'Não gostei'

Em um jogo sem graça, o Vitória perdeu para o Internacional por 1×0 e saiu em desvantagem na terceira fase da Copa do Brasil. As equipes pouco criaram no Barradão e um pênalti convertido por Galhardo garantiu o triunfo gaúcho por 1×0, na noite desta quinta-feira (3).

O Leão até ameaçou nos primeiros minutos da partida. Com marcação alta, pressionava o rival, tentando forçar o erro. Mas perdeu o ritmo e não conseguiu criar bons contra-ataques. No segundo tempo, o Vitória viu o Inter crescer, mas sem grances chances. Até que Wallace agarrou Galhardo e o juíz marcou o pênalti, convertido pelo atacante.

Ao fim da partida, o técnico Rodrigo Chagas reprovou a atuação rubro-negra. O comandante criticou a falta de agressividade da equipe, além dos erros de passe.

“Não gostei. Acho que nós fomos bem abaixo do que podemos jogar. Não tivemos posse de bola, erramos muito passe, fomos pouco agressivos. Acredito que tivemos uns 10, 15 minutos de início de jogo bom. Depois, a gente baixou muito a linha, deixamos o adversário, de muita qualidade, jogar. O Inter tem uma qualidade muito boa, jogadores que, individualmente, fazem a diferença. Isso fez com que a gente atraísse o adversário para o nosso campo”, avaliou o treinador.

“Estou muito chateado. Nós não fizemos um bom jogo. Nós entramos em campo. Fomos muito passivos, deixamos o adversário jogar, coisa que não pode acontecer daqui para frente. Nós temos que ter atitude, para que a gente possa ter bons jogos e bons resultados”, continuou.

Apesar das broncas no time, Chagas viu algo positivo na atuação do Vitória: o sistema defensivo. O técnico reconheceu que as duas linhas de quatro funcionaram bem durante a partida.

“O comportamento defensivo foi muito bom. O trabalho das duas linhas também, muito bom. Em alguns momentos, nós deixamos de jogar por dentro, onde a gente tenta eliminar essa possibilidade do jogo interior. Mas o comportamento defensivo foi bom. As opções de ataque, até por termos Vico fora, Wesley, que são opções de ataque de beirada… As nossas bordas não funcionaram da forma que nós queríamos hoje. Temos que trabalhar, conversar e corrigir aquilo que não foi bem hoje, para que, no próximo jogo, possa ser da forma que planejamos”, avaliou.

No fim do jogo, aos 39 minutos do segundo tempo, Roberto tentou passar por Lucas Ribeiro e caiu. O Vitória ficou pedindo pênalti, mas o juíz disse que não foi nada e mandou o jogo seguir. Nesta fase da Copa do Brasil, não há VAR. Chagas reclamou do lance, mas preferiu não colocar a derrota na conta da arbitragem.

“O juiz prejudicou. Estava na minha frente, eu vi, mesmo estando de longe. Roberto sofre o pênalti, e o juiz, que estava de frente, não deu. A gente foi prejudicado pela arbitragem, poderíamos ter saído com um empate. Agora é trabalhar. Não podemos também colocar a culpa na arbitragem, pela pouca dinâmica que tivemos no jogo. Mas a gente sabe que poderia ter saído, mesmo jogando mal, com um resultado positivo, que seria um empate. Não ter perdido a partida, mas ter tido um empate. O juiz ainda me deu cartão amarelo quando questionei. Mas a gente sabe que tem potencial para jogar muito mais do que jogamos hoje. Dentro disso que vou conversar com os atletas para que a gente possa melhorar nossa performance”, comentou.

Com o resultado, o Vitória vai para o jogo de volta precisando ganhar por dois gols de diferença. Se vencer por um de vantagem, a vaga nas oitavas de final será decidida nos pênaltis. Já o Inter precisa de apenas um empate. O próximo encontro está marcado para quinta-feira (10), às 21h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre.

Antes, o Leão tem compromisso pela Série B: recebe o Náutico no Barradão na segunda-feira (7), às 20h.

Confira outros trechos da entrevista de Rodrigo Chagas

Saída de Soares
Soares saiu, além do cartão amarelo, por ter sentido um pouco de cansaço durante a semana. No jogo, percebi que, em alguns momentos, ele não estava conseguindo fazer a marcação que nós trabalhamos durante a semana. A gente resolveu tentar ter uma agressividade maior com a entrada de João Pedro e adiantando Fernando Neto. Em alguns momentos, conseguimos isso. Mas, no segundo tempo, até porque o Inter joga muito com bola por dentro, buscando sempre Taison ou Edenilson. Tentei corrigir isso, para que a gente tivesse um pouco mais de força no meio de campo.

Faltou marcação mais forte?
Nós trabalhamos muito essa parte. Conseguimos fazer isso até os 10, 15 minutos do primeiro tempo. Depois, a gente já não encaixou a marcação como deveria. O adversário com muita qualidade, conseguiu sair da nossa pressão por muitas vezes. Isso fez com que a gente baixasse, e demos campo para eles. É uma situação que tenho que corrigir bastante, até porque aconteceu muito nesse jogo. E tentar fazer com que a gente tenha uma agressividade maior e mais encaixada durante o jogo. 

Dificuldades com o Inter
Percebemos que o adversário, quando entrava para três, estava nos criando muita dificuldade, até porque os zagueiros deles constroem muito bem, tanto Cuesta quanto Lucas Ribeiro. A gente tentou fazer uma linha de cinco. Um dos, quando a bola estava girando, transformava, saía para caçar um dos zagueiros. A gente transformava em 4-4-2. Melhoramos com a entrada de João Pedro, que tem uma dinâmica muito grande na marcação. Mas, infelizmente, tomamos um gol de pênalti. Até porque o Inter, em termos de criação, só conseguiu ter uma bola de infiltração, que foi o Taison, e o Ronaldo fez uma ótima defesa. E chutes de fora da área. Tivemos um comportamento defensivo bom. Temos que melhorar muito na questão da posse de bola, de ter o controle melhor do jogo e também nas nossas transições.

Escolha por Cedric
Nós colocamos Cedric porque, naquele momento, precisávamos de um jogador de marcação melhor. E o Cedric joga e jogou algumas vezes nessa função conosco. Como a gente queria um jogador que atacasse mais a diagonal, buscando atacar a última linha do adversário, a gente entendeu que o Cedric seria a escolha melhor. Mas Eduardo também seria uma boa opção. Mas uma opção mais de segurar a bola, ter o controle do jogo. Como a gente precisava de um jogador mais agressivo, a opção pelo Cedric foi por esse fato.

Mais bronca
Nós já temos uma forma muito agressiva de jogar, tentando não deixar o adversário jogar. Infelizmente isso não aconteceu, e o adversário dominou o jogo. Não foi agressivo em alguns pontos. Sofremos pouco até no jogo. Eles tiveram o controle absoluto, fizeram um gol de pênalti. Mas a gente tem que melhorar bastante nos próximos jogos para que a gente não sofra como sofremos hoje.

Fonte: Correio