Luiz Fernando Braga: 'cancelamento é uma queima de conhecimento moralizante'

Há um fenômeno que ocorre trimestralmente no Twitter brasileiro. Primeiro, alguém descobre, ou cita, o poeta e cronista estadunidense Charles Bukowski. Por alguns minutos, sentimentos começam a surgir nas profundezas da timeline. Por um lado, o “velho safado” da geração pós-beat é, por si só, uma aberração a ser escancarada em praça pública.

“Fetichista, abusador, nojento”, clamam os acusadores. “É preciso ver a obra separada do artista”, defendem outros. Em uma imensidão de curtidas, tuítes e retuítes, o assunto vai morrendo e o nome do escritor sai dos trending topics – termo que designa os assuntos mais comentados em um determinado momento no Twitter.

O mesmo ocorre com diversos outros autores. Já foram postos à força dos 15 minutos de ódio Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Dostoievski, Chico Buarque, Caetano Veloso, Machado de Assis e, acreditem ou não, até Angela Davis.

Ora com ponderações urgentes e necessárias, ora com ares de marketing moral – se eu descobri o mal e o denunciei, o que mais posso ser senão o bem? – o ciclo se repete.

Como a memória é curta, e a tela do celular é um oceano de tédio em busca da próxima vítima, os mesmos nomes voltam, cá e acolá, com o mesmo fervor, e reaparecerem nos dedos dos internautas.

A práxis foi muito bem sintetizada pela jornalista Marie Declercq, que publicou, durante uma das centenas de vezes em que Bukowski foi “cancelado” no Twitter: “Amanhã o Twitter estará cancelando o macho escroto Marquês de Sade”, em clara ironia.

Longe das tochas e dos pixels, a literatura é um veículo que, no contemporâneo, vive, ininterruptamente, em transformação. Por bem ou por mal, a leitura nunca foi tão pop – seja em correntes duvidosas de WhatsApp, em legendas no Instagram, ou nos clássicos lidos nos colégios.

Em meio a esses processos de ressignificação da escrita e da cultura, movimentos como o Black Lives Matter, nos Estados Unidos, demonstraram força ao destruírem monumentos de figuras ligadas aos Confederados escravagistas.

Manifestações essas que retiram das cidades, outrora infestadas com imagens racistas, pedaços de mármore que rememoravam e comemoravam o genocídio da população negra.

No Brasil, houve anseios de se fazer o mesmo, em especial, após a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) em março de 2018. Seja renomear ruas e praças que homenageiam símbolos escravocratas, ou ditadores, ou derrubar estátuas dos ‘demônios’ diversos da história nada cortês dos brasileirismos dos séculos passados.

Mármore cai, papel queima: o que fazer com as obras literárias que não mais se enquadram dentro do que é aceitável na construção de uma sociedade moralmente equânime? Queimaremos livros como derrubamos estátuas?

Professor de literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em literatura comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Felipe Braga é uma das vozes que tenta, em debates escalonados por discursos prontos de militâncias dispersas em todo o espectro político, falar com alguma nuance o assunto.

Com quase 30 anos de magistério e uma vasta produção literária e acadêmica, o professor passou por colégios conceituados em Belo Horizonte, como o Santa Marcelina e o Santo Antônio, e se dedicou a estudar o texto durante toda a vida.

“Desconstrução é um termo bastante sério, bastante profundo. Então, muita gente acha que desconstrução é demolição. Prefiro levar o autor (à sala de aula), com todos os problemas que ele tem, para fazer uma análise mais diacrônica. A condenação, por si só, já é um atentado à liberdade intelectual”, defende o professor.

Mas, se desconstruir não é destruir, como se deve lidar com o amplo legado literário brasileiro que, em suma, subjuga populações inteiras e ajuda a construir a consciência subjetiva do país?

Nesta edição de Retratos, Luiz Fernando Braga fala sobre o estado atual da literatura, sobre o “cancelamento” de obras clássicas, a compreensão da arte escrita no Brasil na contemporaneidade e os anseios de censura a textos problemáticos.

Noutro dia, nas redes sociais, o senhor falou sobre Monteiro Lobato, e quero começar com uma provocação. Nos protestos nos Estados Unidos, do Blacks Lives Matters, foi comum que pessoas destruíssem estátuas de Confederados e monumentos racistas. Qual é a diferença entre não ler Monteiro Lobato e destruir essas imagens que se mantêm na estrutura da cidade?

O próprio texto já é a diferença, né, cara? A linguagem é a grande diferença. Então, o que que eu acho sobre isso? Eu vejo que esses movimentos são extremamente legítimos e necessários, ainda mais em função do trumpismo, que trouxe à tona, como tem acontecido no Brasil, um ódio represado. É uma questão histórica, na verdade.

“Quando começou essa coisa de banir Monteiro Lobato dos livros didáticos, isso já me deu um certo tipo de calafrio intelectual”

A gente precisa historicamente pras coisas. Eu trabalho em escola federal, trabalhei em escola particular durante boa parte da minha vida. Foram vinte anos de escola particular, faculdade particular, etc, e agora estou no colégio de aplicação da UFF. Quer dizer, é uma escola da UFF, que é campo de estágio, é um campo de pesquisa, é um campo de ensino das licenciaturas.

Quando recebo um estagiário e ele vem já com o discurso da academia, que é o discurso de condenação de Monteiro Lobato, a primeira coisa que eu pergunto pra ele é o seguinte: o que que você já leu do Monteiro Lobato para poder dizer que o Monteiro Lobato não deve ser levado para de aula, porque hoje ele não seria politicamente correto?

Normalmente, não têm leitura. Então, eles ouvem isso na graduação, eles leem isso, até porque essa questão da santa inquisição do Monteiro Lobato, veio a partir do PNLD que é o Programa Nacional do Livro Didático. Então, assim, o que que o PNLD faz? Ele analisa os livros didáticos, a qualidade do material, a atualidade do material, a diversidade de gêneros textuais para poder recomendar a doação desses livros pelas escolas.

Então, quando começou essa coisa de banir Monteiro Lobato dos livros didáticos, isso já me deu um certo tipo de calafrio intelectual. É claro que se a gente pegar o Monteiro Lobato sincronicamente, sem contextualizar, eu vou identificar ali várias expressões racistas. Por exemplo, o conto negrinha. Ele tem esse léxico, racista, mas, ao mesmo tempo, ele tem uma ironia muito grande.

Então, quer dizer, o cara fica muito mais preocupado com o léxico, com a descrição da negrinha, com a uma definição bastante estigmatizada, o tipo de cabelo, do rosto, os traços fisionômicos, a história da família, de como é que ela foi parar naquela fazenda ali, pós-abolicionismo e, ao mesmo tempo, sem ter opção.

“Acho que é uma posição, no mínimo, burra. Negar o objeto de leitura por causa de alguma adequação ou não a uma postura politicamente correta.”

A história dos escravos, depois da abolição. Sem muita opção na vida, a não ser continuar trabalhando ali, em um regime de escravidão disfarçada. Então, eu fico muito interessado no objeto texto. Quer dizer, é o que eu falei outro dia também sobre desconstrução.

Os caras falam muito sobre “ah, é preciso desconstruir, é preciso desconstruir”, mas o termo desconstrução é um termo bastante sério, bastante profundo. Então, muita gente acha que desconstrução é demolição. Tenho Monteiro Lobato, que é quase que um tótem do racismo na literatura brasileira.

Então, a gente precisa acabar com isso, sem questionar, sem investigar, sem fazer a desconstrução do texto, decantar do texto, ver as vozes que atravessam o texto, inclusive a postura racista.

Acho que é uma posição, no mínimo, burra. Negar o objeto de leitura por causa de alguma adequação ou não a uma postura politicamente correta. Prefiro levar o autor, com todos os problemas que ele tem, para fazer uma análise mais diacrônica. A condenação, por si só, já é um atentado à liberdade intelectual.

Não se trata de corroborar, mas analisar, porque aqueles registros linguísticos existiram. Eu queria ver, realmente, uma pesquisa séria que me mostre que a leitura crítica de Monteiro Lobato na sala de aula promove o racismo. No meu entendimento é o contrário.

Isso sempre aconteceu na história da humanidade. Então, você tem um movimento ‘reaça’, depois você tem o movimento progressista, um querendo destruir o outro, e, enquanto isso, a memória vai se apagando.

Todo o movimento do Black Lives Matters é extremamente legítimo na sua causa, na sua motivação, mas o apagamento da história por meio da destruição de símbolos, de signos, do material cultural que tá aí não se justifica.

Porque se a gente pensar nisso, foi exatamente isso que o cristianismo fez durante 2 mil anos. É um pensamento muito obtuso em relação à literatura e racismo.

Pegando essa esteira do do apagamento, você citou o termo politicamente correto, que é um termo que dá uma treta danada, né? Tem gente que diz que existe, tem gente que diz que não existe e tal. Mas o fenômeno, em si, acontece independentemente do nome. Existe uma certa urgência de censura a algumas coisas. Como que isso mexe com a literatura nas redes sociais, por exemplo?

É a falta de leitura, sabe? Isso acontece. Há uns dois anos, eu tive um debate no local em que eu trabalho, porque alguns professores de filosofia estavam falando que não vou trabalhar Kant por causa disso, não vou trabalhar Nietzsche por causa disso, por conta de questões de traços pessoais, de posicionamento ideológicos. Isso daí é a falta de repertório.

Então, o cara vai pras redes sociais, porque apareceu o nome aí, vem esse movimento de onda, e aí Freud vai sempre contemplar a gente nisso, o cara não lê, mas ele pega aquela frase, e ele já tem esse ódio pré-aprovado em relação aos autores. Isso pode acontecer com qualquer escritor, pode acontecer com qualquer artista. 

Por exemplo, acho que quase ninguém gosta do panasianismo, também não gosto, mas assim, se você pensa nas histórias de Olavo Bilac, como necrófilo, vem toda uma questão moral em cima disso.

Olavo Bilac só não é cancelado porque ele já tem um ódio um pré-aprovado, que é o parnasianismo. A questão do politicamente correto é discutível, sim. A terminologia é discutível, mas a gente observa esse tipo de postura. Então, o politicamente correto hoje é você defender um certo tipo de correção que você mesmo não tem.

A cultura do cancelamento é, sobretudo, sobre o cancelamento do conhecimento. Porra, como assim cancelar Kant? Vamos cancelar Freud? Daqui a pouco não tem mais nada.

É a coisa do macho escroto. Como se essa categoria, “o macho escroto”, fosse uma prerrogativa que muitas vezes só é percebida como existente dentro do universo hétero-normativo, mas quem se aprofunda nas redes sociais LGBTQi+ vê que ali tem escrotidão de todos os tipos. Um tipo de comportamento vulgar, depreciativo. A questão é relativa à espécie humana.
 

 
 
 
 
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O barema para poder medir vai se modificando de tempos em tempos. Hoje, temos uns caras apedrejados nas redes sociais, mas daqui a dez anos serão reabilitados. É um movimento fluido, raso. Não existe debate, existem frases de efeito. É um lugar vazio.

“A cultura do cancelamento é, sobretudo, sobre o cancelamento do conhecimento. Porra, como assim cancelar Kant? Vamos cancelar Freud? Daqui a pouco não tem mais nada. O cancelamento é uma queima de conhecimento extremamente moralizante.”

Machado de Assis sendo cancelado porque não seria um autor apropriado para adolescentes, porque pode causar trauma, sabe (sobre o caso de Felipe Neto)? Quem tá falando isso é um branco que leu Machado de Assis, sabe?

E quando a gente pensa que a maior parte dos alunos brasileiros só vai ter a possibilidade de contato com o Machado de Assis na escola e depois nunca mais… Então, você já tá fazendo um apagamento de memória.
 

 
 
 
 
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Então, nessa situação, o cenário distópico seria um um cenário sem conhecimento, um cenário em que o conhecimento é destruído e vira uma espécie de canibalismo cego. Que eu acho que já acontece.

O Museu Nacional pegou fogo por descuido do poder público, por negligência do poder público, há dois, três anos, e ninguém mais fala disso, aí vem um cara falar que Machado de Assis não deve ser lido na escola. Como assim?

A gente trabalha com o acionamento da leitura prévia daquilo que eu já tenho de leitura para formar diante da leitura nova. Então, eu trago toda a minha leitura prévia no ato da leitura para formar opinião sobre aquilo.

Então, os horizontes de expectativa vão, digamos assim, decantando a literatura e a recepção da literatura, e aí a obra vai sobreviver a isso. O Machado de Assis vai sobreviver, Monteiro Lobato vai sobreviver, a obra vai ficar, as pessoas vão morrer e a obra vai ficar. 

Como você entende discussões sobre lugar de fala e produção literária?

É muito parecido com o que falei sobre o desconhecimento das fontes. O lugar de fala virou essa metáfora extremamente banalizada. “Se eu não sou preto, se eu não sou pobre, ou se eu não sou gay, trans, não posso falar sobre isso”.

Primeiramente, precisamos pegar as teorias da enunciação. Vamos em Mikhail Bakhtin trabalhar com polifonia, com as vozes do texto. Depois, dos anos 1980 para cá, com análise do discurso, com análises da enunciação.

Nesse sentido, como pesquisador, preciso de fontes para poder me pautar em um conhecimento para formar o meu. O lugar de fala que considero é o texto. É o locus enunciativo, o lugar de enunciação.

O lugar de fala não é o sujeito, até porque o próprio conceito de sujeito é problemático. O próprio conceito de identidade é problemático. Quando pegamos Stuart Hall em “Identidade Cultural na Pós-Modernidade” a gente vê que, principalmente depois de Sigmund Freud e Ferdinand de Saussure, não é possível falar da unicidade do sujeito, muito menos da unicidade das identidades.

“Existe um radicalismo protofascista, que é sobre minar as fontes de conhecimento e, aí, o lugar de fala se transforma em um recurso para silenciar o outro.”

Elas são multifacetadas. Nesse sentido, o lugar de fala se torna mais problemático ainda. Porque ele não está no sujeito, mas na performance do sujeito no texto, no enunciado. Gayatri Spivak em “Pode o Subalterno Falar?” discute isso.

Uma coisa é Graciliano Ramos, um escritor comunista, escrevendo sobre uma família de retirados, em vulnerabilidade social, pela qual ele não passou. Então ele fala sobre, ele não fala por.

Temos que discutir, daí, da impossibilidade de eu falar por um determinado grupo social. Mas quando chegamos na teoria da enunciação, essa impossibilidade é ainda mais radical, porque não é possível ninguém falar por ninguém.

“Eu acho que a literatura hoje tem um espaço enorme pra ela ser o que ela quiser.”

A performance do discurso é individual. Isso dentro do próprio grupo social das pessoas pretas, dos LGBTQi+. Eu já publiquei vários livros com essa temática (LGBTQi+), mas essa questão do lugar de fala me incomoda, porque me aprisiona.

Parece que eu só tenho que falar disso. Que se eu não fizer da minha literatura uma militância agressiva eu não tenho compromisso social.

Então, sim, existe um radicalismo protofascista, que é sobre minar as fontes de conhecimento e, aí, o lugar de fala se transforma em um recurso para silenciar o outro. “Você não pode falar disso”. Lugar de fala, no meu entendimento, é o próprio texto. Procuro problematizar essa questão com as fontes que citei. 

Qual é o lugar da literatura contemporânea? Na música, há uma ideia de retorno à técnica, que também se vê na pintura, no desenho. Como você enxerga a literatura nesse contexto da arte contemporânea? Para onde estamos indo, o que está acontecendo, e o que que vem sendo produzido?

Eu acho que a literatura hoje tem um espaço enorme pra ela ser o que ela quiser. Agora, qual é o lugar da literatura? Como é que isso acontece na literatura contemporânea? Estamos lidando muito com os discursos na multimodalidade. E a literatura também está entrando em trâmite.

Então, por exemplo, eu fiz uma experiência recente de publicar um livro erótico em um site de publicação de textos. Eu, um professor de quase cinquenta anos, tentando entender aquele universo. Quando eu entrei naquilo dali, porque eu achava assim, bom, isso aqui é só lugar de fanfic, é só lugar de putaria e tal, mas eu quero ver como é que funciona.

E quando eu entrei ali, vi que tem milhões de leitores, milhões, mais de 100 milhões de pessoas cadastradas, lendo os mais diversos tipos de texto. E, ali, você vai colocando aquelas hashtags, ou vai colocando aqueles filtros, e vai descobrindo que tem um tanto texto de adolescentes, experimento de uma linguagem que eles não dominam muito, mas eles querem escrever e eu acho super bacana.

“Eu não tô nem aí para correção linguística, eu quero contar minha história”, como se dissessem. Então, eu acho que um dos caminhos pelos quais a literatura está transitando atualmente, é exatamente o caminho de não ter um caminho só.

Mas vamos pensar, então, na literatura que é publicada hoje. Essa literatura, primeiro, enfrenta uma crise no mercado editorial. O mercado editorial tem que se adaptar a novas plataformas, tem que se adaptar à existência da Amazon, tem que se adaptar à existência do digital, tem que se adaptar à distância de vários outros aplicativos que vão surgindo por aí.

E ele precisa sobreviver ao mesmo tempo. Então, muitos desses autores contemporâneos são pescados nessas plataformas digitais. As grandes editoras, elas estão de olho nessas publicações que rendem muitas leituras ali, pra ver se tem um potencial comercial para. Mas, em relação à forma, em relação à própria linguagem, não existe um só caminho (no contemporâneo). 

Em relação à escola e às vivências LGBTQi+, quando o senhor dava aula para mim, em 2010, havia, claramente, um “problema” em haver um professor gay na escola. Hoje, percebo que há menos estigma e muitas das discussões queer, apesar do avanço sistêmico do conservadorismo, vêm tomando espaço entre as gerações mais novas. Como o senhor enxerga isso?

Lembro de uma dinâmica que fiz em sala, quando ainda havia quadro de giz, e escrevi a palavra “profesor”. Daí, pedi aos alunos para que dissessem quais palavras vinham à mente para eles.

Um deles, lá do fundão, gritou: viado!, aí eu escrevi viado no quadro, normalmente, sem me alterar em nada. A turma ficou completamente muda com aquilo.
 

 
 
 
 
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Eu entendi, depois, que aquele ato meu era ao mesmo tempo pedagógico e identitário. Depois, perguntei: “vocês tem algum problema com o fato de eu ser viado?”. “Não, professor, que que é isso? Não sei o que”, responderam.

E rebati: é porque isso pode ser discutido, eu acho que sala de aula não é lugar de tabu, mas um lugar de produção de conhecimento, só que, para produzir conhecimento, a gente precisa de fontes diversas. Várias vozes se somando.

Como você enxerga esses movimentos que tentam impedir isso na sala de aula? Nos Legislativos, de formas muito agressivas, tanto no federal, quanto nos municipais, há crescimento de projetos como o “Escola Sem Partido”, ou a proibição de discussões de gênero e sexualidade.

Eu acho que elas são pífias, porque, quando a gente chega na sala de aula, não vai ser por decreto que a gente vai dar aula, não vai ser por um projeto de lei, entendeu?

E a gente tem, assim, uma das coisas que eu falo muito, “ah, os jovens não leem”. Gente, nunca se leu tanto como se lê hoje. O jovem, basicamente, é um sujeito linkado o tempo inteiro, até no sonho. O acesso à informação é gigante.

Evidentemente que eu não tô considerando aqui a qualidade dessa informação, até porque a gente tá vendo aí, né? A indústria das fake news, não é?

Agora, essas iniciativas do Legislativo (se aprovadas), quando chegarem na sala de aula, não vão vingar. É meio que uma gracinha política para poder agradar o próprio eleitorado.

Fonte: Agencia Brasil