Polícia prende dois suspeitos de ataques em Manaus

Após a segunda noite de terror em Manaus, mais dois homens envolvidos nos ataques incendiários em reação ao assassinato de um líder do tráfico pela Polícia Militar foram presos na madrugada desta segunda (7).

Segundo a polícia, um deles tinha uma submetralhadora enterrada no quintal de casa. Um garoto de 11 anos também acabou apreendido. A polícia afirma que ele recebia R$ 50 de traficantes para atuar como “olheiro” e mantê-los informados sobre a movimentação dos gentes de segurança na região. Outras 13 pessoas já haviam sido presas em cidades do interior suspeitas de participarem dos ataques.

A capital do Amazonas amaneceu nesta segunda com diversos serviços públicos suspensos por medida de segurança, inclusive o transporte público. Os ônibus voltaram a circular, mas com apenas 30�frota.

A Prefeitura de Manaus decidiu estender a suspensão da vacinação e dos serviços de saúde (exceto maternidades e Samu) até o fim do dia, com previsão de retorno das atividades “a depender dos acontecimentos”.

As prisões ocorrem após um domingo de violência promovido por criminosos em represália à morte de um membro do Comando Vermelho (CV) por policiais militares, ocorrida na noite de sábado (5).

Erick Batista Costa, 30, o “Dadinho”, que era cotado para ser conselheiro do CV em Manaus, foi morto em uma troca de tiros com policiais e a ordem para os ataques partiu de dentro de um presídio local, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, que reforçou o policiamento na capital e nas cidades do interior do estado.

Mesmo com mais policiais nas ruas, os ataques continuaram até a madrugada de segunda. Na noite de domingo (6), criminosos atearam fogo em uma unidade básica de saúde e dispararam tiros na fachada do prédio do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Manaus.

Também foram registrados um incêndio em um caixa eletrônico e um ataque à sede da 24ª Cicom, companhia da Polícia Militar localizada na orla de Manaus.

Segundo a polícia, os suspeitos chegaram em lanchas, aproveitando a alta recorde do rio Negro, e lançaram uma granada contra a unidade policial. Houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido nem foi preso. O artefato não explodiu, e foi desativado pelo grupo Marte, especialista em explosivos.

O clima de tensão e medo levou os sindicatos das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus e dos Metalúrgicos a recomendarem a suspensão do terceiro turno das fábricas, que corresponde ao horário da madrugada, e a adiar o início do primeiro turno de segunda (7) das 4h para as 7h.

Escolas públicas e também particulares estão com as aulas presenciais suspensas nesta segunda (7).

Os órgãos públicos administrativos devem funcionar no formato de teletrabalho, segundo determinação da prefeitura e do governo estadual. Apenas os serviços de saúde da rede estadual serão mantidos normalmente.

Parte do comércio e dos shoppings também alterou o horário de funcionamento e só abriram as lojas a partir das 14h, segundo comunicados feitos em suas páginas na internet.

Até o fim da manhã desta segunda, haviam sido registrados 29 veículos queimados (15 deles ônibus), dois incêndios em estabelecimentos comerciais, sete agências bancárias alvo de chamas, oito ataques a prédios públicos, além de ocorrências em outros seis municípios do interior.

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), pediram apoio de forças federais para conter a onda de violência. Lima publicou em suas redes sociais, na manhã desta segunda (7), que formalizou o pedido de apoio da Força Nacional de Segurança junto ao Ministério da Justiça na noite de domingo (6).

 

Fonte: Agencia Brasil