Ramon explica esquema tático e exalta jogadores: 'Elogiei muito'

A estreia de Ramon Menezes como técnico do Vitória foi memorável. No primeiro jogo com o novo comandante, o Leão ganhou por 3×1 do Internacional em pleno Beira-Rio e se classificou para as oitavas de final da Copa do Brasil. Samuel abriu o placar, Johnny empatou, mas Eduardo e Guilherme Santos marcaram e garantiram a vaga rubro-negra.

Após o jogo, Ramon comemorou o resultado, e aproveitou para fazer elogios a Rodrigo Chagas, que foi demitido do clube no início da semana.

“Primeiro, dizer de minha felicidade. Muito feliz. Já estava muito feliz com a oportunidade de retornar ao clube. Dedico essa vitória ao torcedor. Acho que o torcedor hoje está muito feliz com o que ele viu dentro de campo, contra o Inter, que é uma grande equipe. Fiquei até emocionado dentro do campo. Isso é muito legal. Você imagina a festa que foi dentro do vestiário”, disse.

“Dedico ao torcedor e dedico ao Rodrigo, que é um cara que eu gosto muito. Fiz questão de ligar para ele. Falei que, se não fosse eu, seria outra pessoa. Quando o Paulo me ligou, não poderia falar não para o Vitória. Espero que ele tenha entendido. A gente espera por ele dentro do clube. É uma pessoa que ajuda e ajudou muito. Tem muito do dedo dele aqui. Muito satisfeito com minha chegada, as informações que tive para que a gente pudesse fazer esse grande jogo”, seguiu.

Para Ramon,  o comprometimento dos jogadores para alcançar a classificação foi fundamental. No primeiro jogo, realizado no Barradão, o Inter havia ganhado por 1×0.

“Fundamental foi o espírito, a atitude dentro de campo. Um trabalho apenas. Destaco o grupo de jogadores. De terem entendido uma estratégia. Poderia ter saído daqui hoje questionado pela maneira que entramos dentro de campo. Acho que tem bastante tempo que o Vitória não começa um jogo com três zagueiros. Poderia ter sido questionado. Mas não quer dizer que você vá ficar lá atrás. Pressionamos o Inter desde o começo. O importante era não tomar o gol. Tínhamos 90 minutos para resolver nossa situação. Na maioria das vezes, quando um novo treinador chega, ele mantém a equipe do último jogo. Eu conversei muito com os atletas, passei que esse jogo teria uma estratégia, como foi. Acho que todo mundo estava preparado, e isso que é importante”, comentou.

Ídolo do Vitória como jogador, Ramon também falou sobre a sensação de voltar, agora como técnico, e já estrear ganhando e conquistando a classificação. Mas pediu foco para os próximos compromissos do Leão. O rubro-negro irá receber no domingo (13) o Operário-PR, no Barradão, pela Série B, e tentará sua primeira vitória no campeonato.

“Tudo aquilo que consegui como atleta foi muito importante dentro do clube. Tenho uma gratidão muito grande. Quando Paulo me ligou, fiquei muito feliz e aceitei na hora. No futebol, hoje você ganha e é o melhor, a gente sabe como é. Vamos comemorar muito hoje. Está todo mundo muito feliz. E tem que comemorar, é muito difícil vir no Beira-Rio e conquistar essa classificação. Mas amanhã [sexta-feira] já começamos a mentalizar o campeonato da Série B, a nossa recuperação também. Eu já vou começar a pensar daqui a pouco no nosso adversário, que é o Operário-PR”, comentou.

Confira outros trechos da entrevista de Ramon Menezes:

Esquema tático
Primeiro, quando entra com três zagueiros, o que pensei foi para correr o risco que era iminente, adiantar a marcação na saída de bola do adversário. As equipes dirigidas pelo Ramírez têm por característica sair jogando lá atrás. Nós precisando do resultado… Poderíamos fazer uma pressão principalmente no tiro de meta. Lógico que a qualidade técnica do Inter é incontestável. Esse foi o pensamento. Lógico que, por ter sido o primeiro jogo com essa formação, tivemos um pouco de dificuldade, mas muito mais pela qualidade do adversário. A gente estudou bastante o Inter. Tivemos um pouco de dificuldade, muito mais no setor de criação, é uma equipe que circula muito bem a bola. Sabíamos que a maior posse de bola seria deles. Mesmo nós com um jogador a mais no segundo tempo, se pegar a posse de bola total, foi maior do Inter. 

Mudanças no intervalo
Parte da estratégia. Tínhamos 90 minutos para fazer o gol. Passei isso para os jogadores. Fizemos a estratégia de entrar com os três zagueiros. Se pegar o retrospecto do Vitória, no histórico recente, último jogo que não tomou gol foi contra o Vitória da Conquista. A minha ideia era não tomar gols. Se não tomamos o gol, uma hora ou outra, com a agressividade e a transição muito rápida que essa equipe tem, poderíamos fazer o gol. Vitória também está com dificuldade de fazer gol. Hoje conseguimos fazer três. Quando a estratégia dá certo, é maravilhoso. Partiu muito dos atletas de chegar no campo e fazer.

Impressão sobre o time
Acho que a melhor possível. Elogiei muito esses atletas. Cabeça no lugar, a gente tem que melhorar, precisamos evoluir. Temos juventude fantástica, mas a cada dia tem que melhorar. O que fiz hoje já não serve para amanhã. Conversei muito com os meninos. Hoje optei pela entrada do Ygor, que já conheço, mas muito pelo momento do David, precisamos recuperar esse atleta. Estou falando dele porque ele estava jogando quando eu cheguei, Guilherme tava jogando. Partiu da estratégia também, quando eles entraram, deram a contribuição necessária para vencermos o jogo. Temos jogadores promissores e muito experientes que são importantíssimos. Wallace é uma liderança impressionante. Tive a oportunidade de trabalhar com Marcelo e já vejo ele como uma liderança muito boa também.

Mudanças táticas no jogo
Praticamente entramos com essa trinca na busca do equilíbrio. Vejo futebol passando muito por esse equilíbrio, principalmente defensivo. Lógico que quando ganha é bem melhor vir aqui para falar. Foi uma estratégia, fugimos um pouco da característica do Vitória. Conseguimos pressionar o adversário, mas tivemos uma dificuldade que era normal no primeiro tempo. A gente já esperava no segundo tempo a mudança, ficou a linha de quatro.

Fonte: Correio