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Nova safra literária: Selo João Ubaldo Ribeiro premia 8 autores baianos

Crônicas escritas no celular, fruto de histórias cotidianas e colhidas no ônibus, metrô e na rua. Um assalto contra um casal no Centro de Salvador gerou o desespero de saber que o celular levado estava desbloqueado e tinha várias fotos íntimas dos dois. O texto de uma peça de teatro sobre um retirante que vive num sertão mítico e místico em busca do pai que não conheceu. Uma série de poemas com nome de ventos e que motivou um rapaz da periferia de Salvador a escrever.

Todas essas histórias são de vencedores do Selo João Ubaldo Ribeiro, Ano III, da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Na quinta-feira (28), aconteceu  no Teatro Gregório de Mattos, no Centro, a cerimônia de lançamento dos oito livros contemplados no projeto e a certificação de autoras e autores. 

O selo é a ferramenta de fomento à leitura mais importante da FGM. Presidente da Fundação, Fernando Guerreiro explica o motivo: “Uma das grandes dificuldades dos autores é publicar e eu acho fundamental o livro físico, que tem uma função especial. A gente criou o selo com a preocupação de criar categorias, que são muito tênues os limites, e estamos aperfeiçoando sempre. Há uma qualidade muito grande no que está escrito porque a cada seleção atraímos mais gente e jogamos o sarrafo para cima”, contou.

Sete dos oito aprovados estiveram na cerimônia: Daiana Soares, Stael Mamed, Paulo Atto, Aícha Pinheiro, Breno Fernandes, Tiago D. Oliveira e Aruane Garzedin. Autora do livro Efemérides, Márcia Monteiro não compareceu por problemas pessoais.

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Cerimônia no Teatro Gregório de Mattos marcou o lançamento coletivo dos oito livros (Foto: Paula Fróes) 

Letras fora do armário

Autora de Fuxico, Resenha, Mexerico nas Esquinas e Buzús de Salvador, Daiana Oliveira escreveu todas as crônicas que compõem seu livro em seu celular. “Eu tenho o livro todo aqui”, repetia, orgulhosa, com o aparelho em mãos. Museóloga e professora de arte, ela não atua em nenhuma das duas áreas e vê, na premiação, uma maneira de se recolocar profissionalmente.

“Tenho muito orgulho de participar desta edição do selo literário. É um incentivo para que todas as pessoas tirem dos armários e criem. É importante criar, desenvolver a leitura. O Fuxico é composto por crônicas do cotidiano, que aconteciam no ônibus, no metrô, e foi todo escrito no celular. Não existe limite para a criação”, disse.

Premiado na categoria Romance com As Fotos Roubadas, Breno Fernandes escreveu um livro adulto pela primeira vez na carreira e só queria ser lido por pessoas especializadas na área para ter uma noção do valor de sua produção. “Não esperava ganhar, mas não posso dizer que sou triste”, brinca o escritor.

Ele comemora e valoriza o selo: “a iniciativa é fundamental para que autores de diferentes nichos se encontrem, tragam seus públicos para dialogar e a gente faça uma cadeira literária. Somos um elo e apresentamos uma coleção conjunta, formamos uma corrente. Espero que o selo tenha muitos anos de vida”.

Um dos dramaturgos premiados na categoria que lhe diz respeito, Paulo Atto afirma que cada livro publicado no Brasil é motivo de comemoração porque significa uma grande vitória da vida no país. Sua obra, A Travessia do Grão Profundo, é o texto de uma peça que circulou pelo Estado e, agora, os espectadores podem acessar de uma maneira diferente.

Outra dramaturga premiada é a atriz Aícha Pinheiro, com o livro Alimentando as Feras, uma comédia dramática sobre três mulheres que têm a péssima ideia de dar seguimento às suas terapias de grupo sem o terapeuta. “O selo é uma das coisas mais importantes e significativas que temos hoje quanto à escrita. É destinado à leitura, mas também a esse escoamento de escritores que poderiam ficar guardados na gaveta”, afirmou.

Destaque com o livro de contos Sobre Quatro Patas Há Um Lugar, Aruane Garzedin sempre foi uma leitora voraz e contou com os livros para se formar enquanto profissional e cidadã. Ela vai na mesma linha de Breno ao afirmar sobre a importância de novos autores passarem por uma banca examinadora porque essa experiência é importante para ter um aval e seguir em frente.

E seguir em frente significa fomentar toda uma cadeia produtiva, composta por leitores e autores, editoras e todos os profissionais que estão dentro desse ambiente. “Acredito que somos a humanidade que somos, mesmo que não perfeita, porque existe a contação de história, a literatura, que permite que a gente se desloque no tempo e espaço nos permitindo entrar no lugar do outro, contar novas histórias, histórias de maneiras diferentes”.

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Fernando Guerreiro com o escritor Breno Fernandes, vencedor da categoria romance (Foto: Paula Fróes)

Inscrições para ano IV começam em outubro 

Em seu terceiro ano, as edições anteriores aconteceram em 2014 e 2017, Fernando Guerreiro aponta que a qualidade das produções começou a subir exponencialmente à medida que a Fundação conseguiu alcançar mais escritores. As inscrições para o ano IV começam em outubro, segundo a gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da FGM, Jane Palma.

Para a próxima edição, uma categoria especial será criada em homenagem aos 200 anos da Independência da Bahia, em 2023.

É mais uma oportunidade para quem escreve fazer como Tiago Dias Oliveira, poeta autor de Soprando o Vento, que nasceu de impulsos tão naturais quanto ‘bufar’ o vento quente num momento de cansaço.

“A bandeira que ele carrega é da resistência, pela palavra, com um centro de afeto. Acredito na palavra enquadrada pelo afeto, que é a maior revolução que a gente tem”, disse Tiago. Sendo esse afeto vindo pela palavra, melhor ainda. Então que ela seja semeada.

Os livros e vencedores

Fuxico, Resenha, Mexerico nas Esquinas e Buzús de Salvador 
Autora: Daiana Oliveira 
Categoria: Crônica 
Capa e ilustrações: Fernando Oberlaender 
 
 As Fotos Roubadas 
Autor: Breno Fernandes 
Categoria: Romance   
Capa: Markin Chagas 
 
Alimentando as Feras 
Autora: Aícha Pinheiro 
Categoria: Drama   
Capa: Bel Borba 
 
Soprando o Vento 
Autor: Tiago D. Oliveira 
Categoria: Poesia  
Capa: Justino Marinho 
 
A Travessia do Grão Profundo 
Autor: Paulo Atto 
Categoria: Drama   
Capa: Ligia Aguiar 
 
História do Bicho-Folhagem 
Autora: Stael Mamed 
Categoria:  Literatura infantil 
Capa e Ilustrações: Aline Terra Nova 
 
Efemérides 
Autor: Márcia Monteiro 
Categoria: Categoria Livre  
Capa: Larissa Seixas 
 
Sobre Quatro Patas Há um Lugar Seguro 
Autora: Aruane Garzedin  
Categoria: Conto  
Capa: Juarez Paraiso 

Fonte: Agência Brasil

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