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Segue de volta? Veja quem os candidatos seguem nas redes, e por que isso importa

Recentemente, a cantora Simaria fez uma limpa em seu Instagram e parou de seguir os perfis de uma série de personalidades: Wesley Safadão, Juliette, Claudia Leitte, além da própria irmã, Simone. O simples apertar de um botão deu o que falar entre os fãs da sertaneja, e aconteceu em meio ao contexto de afastamento dos palcos e brigas entre as irmãs. Se entre as celebridades um simples ‘unfollow’ é capaz de gerar polêmica, a situação não poderia ser diferente no meio político.

Em um levantamento feito com base em dados do Instagram, é possível notar muitas rusgas dentre os candidatos à Presidência da República. Lula (PT), por exemplo, segue Ciro Gomes (PDT), mas o “follow back” – quando um usuário segue o outro de volta – não acontece. Dentre os presidenciáveis, aliás, Ciro é o único seguido pelo petista. O pedetista, por sua vez, segue apenas a candidata Simone Tebet (MDB). Bolsonaro (PL), não segue nenhum dos concorrentes, apesar de ser, entre eles, o mais seguido na rede, com seus quase 22 milhões de “followers”.

E por que isso importa?
Bem, de acordo com o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital Samuel Barros, o simples ato de um político seguir o candidato adversário pode significar uma disposição ao diálogo.

“Em uma campanha em que tudo o que está online é visto, não podemos falar em ‘redes pessoais’. Tudo tem um valor estratégico. Tem um certo significado social seguir o outro, quer dizer que você está interessado em acompanhar os conteúdos da pessoa, mas, no sentido da política, é mais um interesse no diálogo. Isso pode, inclusive, significar uma sinalização de que, eventualmente, aceitaria conversar com o candidato quando eleito”, afirma.

No caso específico de Ciro não seguir Lula de volta, Samuel lembra que isso tem um sentido que pode ser notado em outras interações públicas entre os presidenciáveis. Embora já tenha sido Ministro da Integração Nacional no governo do ex-presidente, o cearense tem, recentemente, tomado uma postura crítica e incisiva em relação ao petista, a exemplo do que aconteceu no debate na Band. Foi quando Ciro respondeu a elogios de Lula atribuindo a ele o surgimento de Bolsonaro e o chamando de “encantador de serpentes”.

“A razão do meu distanciamento é que Lula se deixou corromper mesmo”, chegou a afirmar. Lula respondeu dizendo que “eles ainda iriam conversar”.

As próprias publicações feitas na rede pela campanha de Ciro são abertamente hostis contra o seu antigo aliado político. Já o petista, pelo contrário, segue também ex-candidatos de esquerda à presidência e antigos adversários de outros partidos, como Marina Silva, e André Janones. A postura da campanha de Lula nas redes acontece em um momento em que, frequentemente, o candidato faz aceno à palavra “diálogo” em seus discursos.

Por outro lado, o fato de Bolsonaro não seguir nenhum dos outros candidatos pode significar a falta de vontade e uma dificuldade para “furar as bolhas” e dialogar com outras ideias, o que pode ser refletido no comportamento dos seguidores. No próprio debate da Band, em análise com base no conteúdo compartilhado no Twitter por Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a “bolha” que apoia o presidente tendeu a ficar mais isolada do que as mensagens antibolsonaristas.

Em média, a bolha antibolsonarista movimentou 43% das mensagens relacionadas ao debate enquanto o grupo que apoia Bolsonaro movimentou 15%. O restante das interações (42%) aconteceu fora das bolhas vinculadas aos candidatos. O monitoramento contabilizou 680 mil tuítes relacionados ao debate ao longo da transmissão. Esses tuítes foram postados por 244.827 usuários.

Reprodução

Interação nas redes
Aliado a isso, outro tipo de apoio político que é possível de ser observado nas redes sociais dos candidatos à presidência é a relação com celebridades e artistas. Enquanto o feed de Lula é marcado por presenças como Caetano Veloso, Emicida, Lázaro Ramos e Mallu Mader, a única personalidade presente em postagens recentes de Jair Bolsonaro é a do pastor Silas Malafaia, com quem viajou para o velório da Rainha Elizabett II, na Inglaterra.

Para o pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em comunicação política Camilo Aggio, o apoio das celebridades pode ser valioso para um candidato na medida em que faz propagar a mensagem deles, e até mesmo mudar a perspectiva de determinados eleitores, o que auxilia na formação de um “clima de opinião”.

“Essas pessoas são lideranças de opinião, gozam de uma credibilidade e autoridade para um conjunto específico de pessoas, e são elos fundamentais nesses circuitos da opinião pública, que podem conformar os climas de opinião favoráveis ou desfavoráveis a políticos e candidaturas”, esclarece.

No caso do ex-presidente Lula, é a própria Janja, sua esposa, que tem articulado a estratégia de proximidade com os famosos. A socióloga convidou nomes como Gil do Vigor, do BBB21, e a cantora Duda Beat para o casamento, autorizou que o perfil de internet “Lula verso” fizesse a cobertura em tempo real do evento e ainda aproximou Lula de Anitta. Ao divulgar apoio ao petista, Anitta ofereceu ajuda para “bombar” as redes sociais do ex-presidente e, em seguida, foi convidada por Janja para um almoço.

Segundo Samuel, a prática de convidar celebridades para campanhas políticas não é recente. O que mudou foi a forma como ocorrem as participações. Agora, acontecem mediante a produção de vídeos com as declarações de apoio. “O efeito que isso tem nas urnas é muito difícil de ser inferido”, afirma, entretanto.

Para ele, o que, sim, dá para inferir, é que a participação dos famosos desperta um interesse do público nessa candidatura. “Essa, então, é mais uma estratégia de chamar a atenção dos públicos do que resultar em votos”, pontua.

Ganha quem tem mais seguidores?
Apesar da dificuldade de diálogo, é Bolsonaro ainda que mantém a maior quantidade de seguidores no Instagram. Com 21,5 milhões, ele fica muito à frente de Lula, que tem por volta de 6,7 milhões. Ciro vem atrás com 1,4 milhão, e Tebet, tem 414 mil seguidores. A importância disso já é mais palpável.

Para Camilo, o fato de as pessoas seguirem políticos não necessariamente significa um apoio a eles, mas pode apontar também para um patrulhamento e para uma necessidade de observar as “divergências”, assim como acontece no mundo fora da política.

“É bom seguirmos para vermos as suas companhias, quais são as referências. A própria expressão ‘diga com quem tu andas e te direi quem és’ ganha uma expressão digital interesse para que possamos fazer inferências”, diz.

Já Samuel reforça que o número de seguidores não pode ser confundido com o número de eleitores naquele ambiente por diversas razões. “A plataforma não entrega necessariamente o conteúdo para todos que seguem o candidato, e a visibilidade depende do engajamento”, diz. O engajamento é uma maneira de medir a interação dos seguidores com uma página. Isso envolve a análise de curtidas, comentários, visualizações, e ganho ou perda de seguidores.

“O número de seguidores não pode ser uma métrica única porque o engajamento do candidato pode ser baixo. Contudo, o número de seguidores ajuda a gente a perceber o quão enraizada é a presença daquele candidato na plataforma. Apesar da taxa de crescimento não ser acelerada, geralmente os candidatos que têm um número maior de seguidores pode apontar para uma presença mais constante e há mais tempo nessas plataformas. Pode apontar, então, um parâmetro da intensidade e do tempo que os candidatos colocam na plataforma ao longo da trajetória política”, finaliza.

Fonte: Agência Brasil

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