Lorem ipsum dolor.

Troféu da Copa do Mundo atrai fila quilométrica em dia com 'hino LGBT+' em Doha

Aspire Park é o nome do maior parque de Doha, capital do Catar. São 88 hectares de um ambiente que, entre as programações mais comuns, estão os piqueniques com vista para a Torre Aspire, principalmente à noite, quando as temperaturas estão ainda mais agradáveis e a iluminação é um show à parte. Porém, no fim da tarde e início da noite de sexta-feira (18), o cenário era completamente diferente.

A tradução de Aspire é aspirar, que, de acordo com o dicionário Oxford, significa “direcionar as esperanças ou ambições para alcançar algo”. Às vésperas da Copa do Mundo, que a partir de domingo (20) será disputada pela primeira vez em um país do Oriente Médio, as duas coisas coexistiram por algumas horas.

De um lado, uma fila quilométrica em formato de caracol que sequer era possível enxergar o final, e toda aquela gente tinha uma ambição em comum: ansiava por dez segundos ao lado do troféu da Copa do Mundo Fifa, que estava no último dia de exibição. Tão cobiçado pelas 32 seleções na disputa, o objeto de desejo dos populares reinava imponente diante de milhares de olhares ambiciosos e lentes de celulares ao redor.

Nem os organizadores da Copa esperavam tamanha movimentação. “No início, tínhamos 25 seguranças para organizar as filas. De repente, tinha tanta gente que suspendemos a programação, consideramos acabar com a exibição, mas conseguimos chamar reforços de última hora e, agora, são 220 homens para conter as pessoas”, confidenciou um integrante do staff do evento à reportagem.

Cerveja e hino LGBT+
A outra parte dos 88 hectares do Aspire Park era palco de uma agitação diferente. Não havia nenhum objeto, e sim muita música e curtição. Um DJ comandava uma balada ao ar livre e totalmente gratuita – algo que o turista não espera encontrar em um país onde a única cerveja permitida nos estádios e no entorno deles custará R$ 44 (500ml) e somente na versão sem álcool, pois a tradicional foi proibida pelo governo dois dias antes do início da Copa, devido aos rígidos costumes locais.

Pois o mix de músicas do DJ ia desde as tradicionais árabes até as eletrônicas que dominam as raves no Ocidente. De repente, uma chamou a atenção. Nenhum lançamento. Nada que esteja nos trends topics ou charts dos streamings de música. Uma canção lançada em 1978 pela cantora americana Glória Gaynor. Era “I will survive” (Eu sobreviverei, em português), que representa um lema de superação para a artista, mas foi abraçada pela comunidade LGBTQIA+ como um hino, simbolizando a resistência ao cerceamento de direitos – e no Catar, relação sexual entre homens é considerada crime passível a oito anos de cadeia.

Mas em meio às tensões envolvendo uma possível má receptividade do governo e dos cidadãos locais em relação a demonstrações públicas de afeto entre homossexuais, o clima no Aspire Park foi de entoar a letra em uníssono e, durante aproximadamente três minutos, reinar a esperança de que, nos próximos 30 dias até a final em 18 de dezembro, prevaleçam o respeito e a paz. Agora só falta a bola rolar.

Fonte: Agência Brasil

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com