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Na Rédea Curta: Júnior e Mainha são personagens universais

Não há Mainha sem Júnior, nem Júnior sem Mainha. Juntos,  formam uma família poderosa. Cheia de quinas, mas que se iguala  a milhões de famílias Brasil afora. Mãe solo faz das tripas coração para dar conta do filho.  É o  que se vê no longa-metragem  Na Rédea Curta,  inspirado na maravilhosa webserie homônima,  que chega aos cinemas hoje, com Sulivã Bispo e Thiago Almasy encabeçando o elenco. A direção é da dupla  Ary Rosa e Glenda Nicácio (Café com Canela/2017).

É a Bahia vendo a Bahia na telona, mais uma vez. Mas não só isso. Na Rédea Curta fala a linguagem universal  da maternidade e da busca pela ancestralidade.

“Faz parte do risco questionar algumas coisas que estão postas.  Esse filme é poder trazer  reflexões sobre  as inúmeras possibilidades de Brasil que existem no nosso país. O público adora descobrir novas histórias e possibilidades de ser”, reflete Glenda Nicácio.

Do Curuzu, de Cachoeira ou de Nova York, Júnior e Mainha são universais, ainda que a baianidade seja fundamental nessa jornada.

Veja o trailer de Na Rédea Curta, o filme:

Na Rédea Curta  fala baianês com muita propriedade, refletindo uma realidade/linguagem com a qual  a gente tem muita intimidade. Vocês acham que o filme  encontra eco no resto do país?
SULIVÃ BISPO Na Rédea Curta é a cara da população brasileira, em sua maioria, formada por pessoas pretas.  Mainha é uma mulher preta, inspirada nas  mães de um menino preto nascido e criado no Curuzu, que traz essas vivências periféricas populares e que transforma esse recorte caricato num recorte representativo. Quando a gente fala de maternidade, a gente fala de algo universal. Quando a gente fala da criação de um filho ‘na rédea curta’, a gente fala de como toda mãe cria seus filhos.  Família é família, só muda o CEP.
THIAGO ALMASY Para além de ser um filme baiano,  ele tem um apelo universal porque é uma história sobre mãe e filho, sobre amadurecer, sobre resgate de ancestralidade. Tem muita gente que vive isso ou conhece alguém que vive isso. 

Quando perceberam que a webserie tinha potencial para longa-metragem?
SULIVÃ  A gente sempre falava muito que  a webserie ia virar filme, mas muito como um sonho. Quando aconteceu, a gente ficou muito realizado, porque um filme é sonhar grande.  
THIAGO Os episódios são muito curtinhos e um comentário sempre presente nos nossos vídeos tem a ver com essa questão, do público pedindo mais. Percebemos que havia uma demanda. Quando montamos nosso espetáculo teatral, que foi a primeira experiência com o produto em outra linguagem, percebemos que os personagens podiam sustentar as pessoas ali, por mais de uma hora. Então, o cinema foi uma evolução natural. 

Os temas discutidos por Mainha e Júnior são sempre reflexo do cotidiano. Desta vez, tem uma questão de identidade  que se traduz na busca de Júnior pelo pai e na pressão que Mainha sente para dar conta dessa maternidade sozinha. Falem  um pouco dessa experiência a partir do olhar dos personagens.
SULIVÃ  É muito importante esse tipo de discussão na comédia, porque a comédia é política, transforma. A gente está num país onde existem muitos órfãos de pai,  onde a família é a mãe. Júnior foi criado por uma mãe solo, será que isso vai se repetir?  
THIAGO  Apesar da natureza meio displicente, preguiçosa, ele sabe que Mainha conseguiu dar conta de tudo. Quando ele percebe que a partir daquele momento   tem que ser essa pessoa, tem certeza que  precisa conhecer o pai, porque  não quer que a criança chegue sem referencia. Júnior sabe que Mainha abriu mão de muitas coisas para criar ele e essa é a realidade de muitas famílias. Apesar da imaturidade, ele percebe esse lugar do sacrifício, e sabe que  precisa amadurecer. Ele acha que se encontrar o pai vai  virar um homem com referências e aí as coisas vão se resolver.  

Jackson Costa é o pai perdido de Júnior (Thiago Almasy) e antigo affair de Mainha (Sulivã Bispo) (divulgação)

De onde vem a inspiração para essa família de dois? 
SULIVÃ  Mainha é feita das memórias de minha mãe,  minha avó, minhas tias,  minhas madrinhas, as mulheres negras que me criaram. Eu trago pro meu corpo o jeito como eu vejo minhas mães. Eu sou filho delas e faço por elas. 
THIAGO  É basicamente abrir a porta de casa e olhar pro mundo ao redor, pras famílias, pros vizinhos. Esses personagens são meio que uma fusão de todos nós. Costumo dizer que Mainha é todas as mães e Júnior é todos os filhos. Todo mundo encontra um ponto de identificação.  Se vê como  ou conhece uma Mainha ou um Júnior.

Depois do filme, tem alguma chance de Júnior e Mainha passarem uma nova temporada no teatro? 
SULIVÃ  A gente tem o espetáculo Na Rédea Curta e também um pocket show, que já levamos pra muitas cidades. Afinal, todos nós viemos do teatro. São produtos interligados, um existe muito por conta do outro. Nosso audiovisual toma bença do teatro. 
THIAGO A gente tem grandes expectativas pro futuro desses personagens. Acabamos de lançar a temporada 2022 da série, com 19 episódios. Agora vem o filme pra coroar esse ano que foi muito transformador para nossas carreiras. 

Na Rédea Curta entra em cartaz no Cine Metha Glauber Rocha; Saladearte Daten Paseo e do Cinema do MAM e Cinépolis Norte Shopping, Bela Vista e Parque Shopping

Fonte: Agência Brasil

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