No mesmo dia, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, se posicionou a favor de mexer em trechos da reforma trabalhista promovida no governo de Michel Temer (MDB).
Um dia depois, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, desautorizou Lupi e negou que o governo Lula esteja estudando rever a reforma da Previdência. Ele indicou que também não deve haver uma revisão maior em outras áreas, ao menos no momento.
“Não há nenhuma proposta sendo analisada, pensada, neste momento para revisão de reforma, seja previdenciária ou outra. Nesse momento temos nada sendo elaborado. […] Vai passar pela Casa Civil e é evidente que quem teve mais de 60 milhões de votos é quem decide […] Todo mundo tem o direito a opinião, mas neste momento não há nenhuma proposta de reforma da Previdência ou coisa semelhante sendo elaborada”, declarou.
No final de novembro do ano passado, o então vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), disse que “não há reformas a serem desfeitas”.
Outro ponto de desgaste foi na edição de uma Medida Provisória que retirava a regulação do saneamento da Agência Nacional de Águas (ANA). mercado financeiro entendeu que a medida poderia alterar o marco do saneamento básico, sancionado em 2020 pelo governo Bolsonaro. A possibilidade foi vista como um problema, já que a área recebe muitos investimentos da iniciativa privada.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, então falou em um “engano” na redação do texto e em corrigir o que foi publicado, além de que o marco do saneamento não deve ser revogado.
Nesses primeiros dias, no campo econômico, houve ainda a decisão de prorrogar a desoneração de tributos federais sobre combustíveis. As alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre óleo diesel, biodiesel e gás liquefeito de petróleo ficam reduzidas a zero até 31 de dezembro deste ano. Já a cobrança dos dois tributos sobre gasolina e álcool fica suspensa até 28 de fevereiro.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendia um prazo menor para a extensão ou até mesmo não adotar a medida. No entanto, acabou valendo a vontade da ala mais política na Esplanada. O episódio mostrou que Haddad não deverá ter tanta independência nas tomadas de decisões.